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Ex-diretor de redação da SET fala sobre situação da revista

Roberto Sadovski responde as declarações de Mario Marques

MF
20.05.2009, às 00H00.
Atualizada em 29.12.2016, ÀS 22H05

O Omelete tem acompanhado de perto o desenrolar do cancelamento/reboot da revista SET. Semana passada, nós fizemos uma mini-entrevista com o novo editor da publicação, Mario Marques. Hoje publicamos a réplica do antigo diretor de redação, Roberto Sadovski, para dar espaço igual aos dois lados da questão e deixar os omelenautas, muitos deles leitores (ou ex-leitores) da SET, melhor informados das mudanças na publicação.

Leia abaixo o e-mail enviado por Roberto Sadovski:

"Desde que a SET mudou de estado, o pessoal que toca a revista no Rio está em contato comigo para pedir colaboração, oferecer uma coluna, perguntar que matérias eu fiz e ainda não foram publicadas (elas serão, só que não na SET). Nesse tempo todo eu acompanhei o processo, e preservei o leitor dos bastidores em prol da continuidade da revista. Para deixar a coisa bem clara: SET foi cancelada em novembro passado. Ao lado de outros títulos da Peixes (SKT, Speak Up, DOM e Terra), SET seria descontinuada nas bancas para ser retomada como parte de um portal online de entretenimento no mês de abril. Na época, conseguimos reverter a situação, com a promessa de que um novo projeto gráfico e editorial seria tocado. O projeto está pronto. Nunca foi sequer considerado. O portal, como se sabe, nunca foi lançado. SKT, Speak Up e DOM conseguiram voltar às bancas por editoras de melhor visão. Terra foi sepultada.

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SET nunca teve 'minha cara', [essa afirmação] é uma total falta de respeito com as pessoas que fizeram a revista durante esse tempo todo. Eu, Ricardo Matsumoto, Rodrigo Salem, Marcia Mayumi, Maria Eugênia Hollo, Ana Paula Campos, Alessandro Giannini, Roberto Larroude, Denise Gariane, Leo Protti - todo mundo que fez parte da redação nesse tempo contribuiu para dar uma cara a revista. Eu chefiava a equipe, mas de maneira alguma batia o martelo. Era uma equipe que fazia a revista com paixão, e justamente por isso que SET conseguiu descobrir o que seu público leitor queria ler e entregar esse material de forma mais completa. Paixão é uma conquista, uma briga. Para mim, paixão não está desassociada de um trabalho. E paixão nunca será adquirida por ordens da gerência.

SET nunca foi uma revista de super-heróis e de blockbusters. SET sempre foi uma revista de cinema, plural e eclética, com matérias variadas e reportagens sobre as várias formas de ver e fazer cinema. Quem afirma o contrário nunca folheou a revista. SET, acima de tudo, reflete o que existe no cinema hoje, com a mesma proporção, espelhando o que seu leitor queria ler. Por sinal, leitor de revista não é a meia dúzia que a gente encontra na Internet e que sempre reclama de tudo, leitor de revista não é o cara que quer ditar como a revista deve ser - são centenas de visões diferentes, cabe ao editor amalgamar essa vontade e criar um produto único, que obviamente deixa muita gente descontente, outros satisfeitos. O leitor de verdade é o que escreve, que compartilha o entusiasmo, que vibra com a redação nessa mesma sintonia. Não é ao acaso que os picos de venda sempre estavam associados a 'super-heróis e blockbusters'. Assim, traçar uma distinção entre 'cinema' e 'blockbusters', rotular as coisas, é também um desrespeito ao leitor da SET, aos milhares que compravam quando o objeto de sua paixão estava estampado na capa. Foi assim que centenas de leitores eventuais se tornaram seguidores da SET. Paixão por cinema não tem rótulo - eu escrevi isso num editorial. Não dá pra gostar de uma forma de arte sendo seletivo. Desdenhar blockbusters ou super-heróis - ou qualquer outro gênero, mídia ou artista - e não enxergá-los como parte do que faz o cinema é um desrespeito a quem gosta de cinema de verdade e total desconhecimento das engrenagens de como fazer uma revista sobre cinema.

SET continua, mas uma marca não é nada sem as pessoas que a fazem - e, como o próprio Mário disse, uma publicação é a cara do editor. Por que alguém vai comprar a SET sabendo que as pessoas que lá trabalham não importam? Ninguém é insubstituível, é verdade. Mas certas pessoas são, sim, imprescindíveis. Não enxergar isso é miopia e arrogância. No fim das contas, desejo toda sorte do mundo ao pessoal que está tocando a SET, pelo tempo de vida que ela ainda tiver nas bancas. Continuo fazendo o que está em meu alcance para que a revista não se torne nota de rodapé (paixão é assim mesmo, apesar dos mil fatores contra), porque sei que, em uma década, tiramos uma revista do ostracismo, condenada a desaparecer, e a transformamos em uma das publicações sobre cinema mais importantes do mundo. Quem fez isso não foi o nome SET - foram as pessoas que nela acreditaram, suaram e trabalharam para estabelecer contatos, para levantar a marca. Contatos que, claro, foram forjados por pessoas, e eles são indissolúveis. Continuo conversando com o Mário, que sabe muito bem que me deve uma cerveja. E continuo minha paixão por cinema. Em breve todos vão saber onde."

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