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Evocando espíritos

O que é pior, assombração ou um câncer na adolescência?

Marcelo Hessel
16.04.2009, às 16H00
ATUALIZADA EM 02.11.2016, ÀS 15H05
ATUALIZADA EM 02.11.2016, ÀS 15H05

O que é pior? Assombração ou um câncer na adolescência? Para quem já não aguenta os mesmos terrores sobrenaturais, com os fantasmas cabeludos, pálidos e esganiçados de sempre, Evocando Espíritos parte de uma premissa interessante: o contato com o Além associado ao avanço terminal da doença.

A história, roteirizada por Tim Metcalfe (A vingança dos nerds, Kalifornia) e Adam Simon, reconta o caso verídico de uma família forçada a se mudar para perto da clínica no Estado de Connecticut onde seu filho está sendo tratado de câncer. Eles alugam um casarão que antes funcionava como funerária. Ali, Matt (Kyle Gallner) começa a sofrer alucinações, vislumbres de uma roda mediúnica. A família entende que são só efeitos colaterais do tratamento.

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A direção do iniciante Peter Cornwell não economiza nos clichês da encenação de terror - vultos, violinos agudos na hora do susto, portas e assoalho rangendo... O que dá mais pavor, porém, a princípio, não está na casa: é o maquinário que engole Matt na clínica, como um aparelho de tortura medieval adaptado para a medicina de 1987, época em que a história se ambienta. A aproximação da morte dá mais medo na impessoalidade de um hospital do que dentro de casa - ainda que seja uma casa mal-assombrada.

Quando entra em cena o impagável Elias Koteas (Crash - Estranhos Prazeres), no papel obrigatório do personagem estranho e solitário que explica o mistério para os protagonistas - sim, porque em Evocando Espíritos uma hora todo mundo vira detetive e começa a revirar o passado dos mortos, pra variar - já sabemos que a medicina não vai dar conta de resolver a questão. A exemplo do recente Alma Perdida, onde termina o trabalho dos médicos começa o dos paranormais, fórmula que originalmente remete a O Exorcista, filme que Cornwell todo instante tenta evocar.

Apesar da clicheria, da trilha sonora genérica e de subtramas capengas (o pai que bebe é jogado meio ao acaso), a força da premissa persiste. Tão impactante quanto as manifestações sobrenaturais são as manchas e as feridas no corpo deteriorado de Matt. Não por acaso, o momento mais intenso do filme, já evidente no pôster animado, é aquele em que o duplo de Matt bota da boca pra fora uma massa cinza de ectoplasma.

Seguindo a metáfora que Evocando Espíritos martela desde o começo, podemos interpretar o fenômeno como a manifestação física, ainda que numa era pregressa, da doença de Matt. É a representação do tumor, esse mal acima dos demais.

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