Filmes

Artigo

Esquadrão Suicida | Qual o papel do Pistoleiro de Will Smith no filme?

Ator descreve cena importante do filme direto do set em Toronto

Natália Bridi
12.07.2016
11h59

Will Smith é conhecido por não gostar de dividir o seu tempo em tela. Foi o ator, por exemplo, que rejeitou o papel-título de Django Livre por considerar que o personagem era o coadjuvante do filme de Quentin Tarantino - leia mais. Logo, sua escalação como Pistoleiro, um dos membros do Esquadrão Suicida, foi recebida com surpresa. Seria Smith capaz de “compartilhar seu protagonismo” em um filme de grupo?

None

No longa de David Ayer, Pistoleiro/Floyd Lawton será o líder afetivo do time de vilões, que oficialmente é comandado por Rick Flag (Joel Kinnaman) a mando de Amanda Waller (Viola Davis). Porém, com presenças marcantes como Coringa (Jared Leto), Arlequina (Margot Robbie) e até Batman (Ben Affleck), Smith dificilmente será o centro das atenções. Ainda assim, aceitou o papel pelo desejo de entrar no mundo dos quadrinhos da DC, explica Ayer, que procurou o ator justamente pela sua qualidade de liderança: “Ele tem esse carisma, é uma pessoa que atrai outras, então é o cara perfeito para liderar o grupo. Ele é um dos caras, não tem nenhum disparate de estrela de cinema. É o Pistoleiro perfeito, pois eles são vilões, mas não sabem que são vilões. São pessoas que fizeram péssimas decisões nas suas vidas e por conta dessas decisões são definidos pelos outros: ‘você é isso agora, você é mau’”.

Nos quadrinhos, o assassino de aluguel com a mira mais precisa do mundo apareceu pela primeira vez na Batman #59, em 1950. Nasceu como vigilante, passou a ser um supervilão e atualmente é retratado como um anti-herói, versão com se encaixa com o conceito de Esquadrão Suicida no cinema. Segundo Ayer, o filme é sobre “querer ter uma vida, querer ser feliz, ter uma família, mas ser tachado como uma pessoa ruim, que não tem direito a essas coisas. Essa é a luta deles”. Um arco de redenção que deve ter o Pistoleiro como figura central, constantemente confrontado com decisões sobre o certo e o errado dentro do time de vilões. Uma cena do filme, descrita pelo próprio Smith durante a visita do Omelete ao set do filme, em Toronto, mostra como será o comportamento do personagem - pare por aqui se não quiser spoilers.

Vamos para Midway City em uma missão que apenas Flag sabe o que é. Precisamos resgatar um alvo valioso. Mas não sabemos de nada, não sabemos o que está acontecendo. E temos explosivos de nanotecnologia que foram injetados na base das nossas cabeças. Um de nós testou a teoria no começo do filme e não deu certo. Todos sabemos que funciona. Nessa cena chegamos ao ponto de troca e descobrimos que esse alvo valioso é Amanda Waller.

Estamos no telhado e do nada todos os nossos explosivos ficam verdes, o que quer dizer que estamos livres, e não sabemos o porquê. E no helicóptero que deveria resgatar Amanda Waller, viramos e vemos que o Coringa está lá e ele sequestrou o cientista que criou os explosivos. Agora estamos todos no telhado, com os explosivos desligados, pensando: ‘o que devemos fazer? Podemos matar todo mundo’. Então o Coringa resgata Arlequina, ela entra no helicóptero e eles estão prontos para fugir. Amanda Waller vem até mim e diz: ‘Eu lhe darei a sua liberdade e a sua filha se você colocar uma bala na cabeça dela’. Então, se matar Arlequina, estou livre”.

None

Ou seja, o desafio de Esquadrão Suicida é o equilíbrio. Pela descrição de Smith, Pistoleiro é o anti-herói em busca de redenção, responsável pela balança moral do longa (as armas e o uniforme com dizeres religiosos completam o perfil). O filme, porém, ainda precisa lidar com uma coleção de personagens diversos, incluindo um vilão (Adversário, que pode ter ligação com outro vilão, Lorde Satanus, ou com a própria Magia, interpretada por Cara Delevingne), um antagonista agente do caos (Coringa), uma coadjuvante que roubará a cena (Arlequina) e uma figura de autoridade (Amanda Waller). Se pender demais para um lado ou outro, o filme corre o risco de perder a unidade que um título com a palavra “esquadrão” promete. Desta vez, Will Smith pode ser o líder, mas não o protagonista.

Esquadrão Suicida chega aos cinemas em 4 de agosto.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.