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Esquadrão Suicida | Como o filme de David Ayer pode mudar o Universo da DC no cinema

Visitamos o set: filme empolgou executivos e saiu rapidamente do papel

Natália Bridi
19.07.2016
13h55
Atualizada em
06.11.2016
20h02
Atualizada em 06.11.2016 às 20h02

Ainda que a ideia de Batman Vs Superman tenha surgido dias antes do seu anúncio na San Diego Comic-Con 2013 (saiba mais), o filme passou por um longo processo de produção até chegar aos cinemas - foram quase três anos até que a visão de Zack Snyder sobre o embate entre o Homem-Morcego e o Homem de Aço tomasse forma. Já Esquadrão Suicida, o seu sucessor no cronograma da DC no cinema, precisou de apenas alguns meses para começar a ser rodado.

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Charles Roven, produtor de todas as adaptações da DC desde a trilogia Batman de Christopher Nolan, conta que time de executivos da Warner ainda debatia o seu universo cinematográfico dos quadrinhos quando alguém questionou: “Por que estamos focando apenas nos heróis? Por que não focamos nos vilões?”. A resposta veio logo depois, quando David Ayer sugeriu um filme sobre o grupo da DC que transforma vilões em (quase heróis). O cineasta, que na época cuidava da pós-produção de Corações de Ferro (Fury), foi convocado para uma reunião em Detroit, durante as filmagens de Batman Vs Superman. Estavam no set Roven, o também produtor Richard Suckle, o presidente da Warner Bros. Greg Silverman e o CEO do estúdio Kevin Tsujihara. O grupo recebeu a ideia com entusiasmo: "Se você entregar isso em um roteiro faremos o filme”.

Enquanto finalizava Corações de Ferro, que teve seu lançamento antecipado, Ayer escrevia o roteiro. Nos quatro meses entre a reunião em Detroit e a entrega do script final, a notícia sobre o projeto vazou e diversos atores começaram a se oferecer para integrar o elenco, baseados apenas no conceito criado pelo diretor/roteirista. “Talvez seja o filme que tomou forma mais rápido de todos os filmes que já produzi”, conclui Roven, “A ideia foi apresentada em julho e começamos a filmar em abril do ano seguinte. Já estávamos em pré-produção em outubro, antes de Corações de Ferro chegar aos cinemas”.

Tanta agilidade se explica pela receptividade do estúdio e a empolgação de Ayer com a própria ideia. Na falta de um Kevin Feige (presidente do Marvel Studios), a Warner vem moldando o seu universo cinematográfico aos poucos, optando por um certo empirismo, o que permite uma abertura muito maior a qualquer ideia que possa se destacar no concorrido mercado dos filmes baseados em histórias em quadrinhos. Já Ayer, conhecido por longas de tom realista, se encantou com a possibilidade de criar universos em Corações de Ferro. No filme situado na Segunda Guerra Mundial, “tudo precisava ser feito, pintado, montado, criado e levado para o set. Nesse sentindo”, explica o cineasta, “entendi como é processo artístico de criar tudo o que vai aparecer na tela. Eu queria o desafio de fazer isso novamente”.

Mesmo em um mundo de fantasia, porém, Ayer promete não abandonar a sua assinatura. “Fazer isso da forma como eu dirijo, que é mais realista, naturalista, significa não tratar o tema de forma cartunesca, mas sim como um drama. Trabalhamos muito para dar aos personagens uma história e uma vida, para que eles não existam simplesmente para servir a esse mundo [de fantasia], mas sirvam as suas próprias vidas e suas próprias relações e tenham um coração, uma alma”.

Para tanto, Ayer garante que teve liberdade total do estúdio: “Tive muita sorte. Pude fazer o meu filme e ninguém interferiu. Quando você faz um filme grande em um estúdio sempre existem coisas como… eu não poderia situar a trama em Marte, filmar em preto e branco...Existem um entendimento que você não deve pirar, mas eles realmente me deixaram descobrir a história. E foram muito corajosos, pois muito do que eu fiz é diferente, é novo. É inovador. É a primeira vez que fazem um filme sobre os vilões”. Mesmo quando foi divulgado que o longa passaria por refilmagens, o cineasta garantiu que o que parecia ser a exigência de um estúdio infeliz com o que tinha em mãos, era na verdade mera consequência da sua boa relação com a Warner. "[Os rumores] das refilmagens de Esquadrão Suicida para adicionar humor são tolos. Quando um estúdio ama seu filme e pergunta o que mais você precisa, você deve ir com tudo! #ObrigadoWB #maisação", escreveu Ayer no Twitter.

Com uma previsão de abertura de US$ 125 milhões nas bilheterias dos EUA e a perspectiva de ultrapassar os US$ 872 milhões arrecadados mundialmente por Batman Vs Superman, Esquadrão Suicida deve ser o longa que finalmente vai atender as expectativas (do estúdio e do público) em relação ao novo universo cinematográfico da DC - David Ayer pode ser o Christopher Nolan que o estúdio buscava em Zack Snyder. A resposta chega em 4 de agosto, quando Coringa, Arlequina e Cia. chegarem aos cinemas.

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