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Espelhos do Medo

Mais uma refilmagem de um filme asiático de terror, ou melhor, de sustos

Marcelo Forlani
16.10.2008
15h00
Atualizada em
21.09.2014
13h41
Atualizada em 21.09.2014 às 13h41

Kiefer Sutherland teria um problemão em suas mãos se não fosse um cara despreocupado com a vida e, aparentemente, com sua carreira. Da turma de atores que se tornaram famosos muito jovens, se perderam nas baladas hollywoodianas e ressurgiram, ele só não consegue superar Robert Downey Jr. Mas a diferença principal entre os dois é que enquanto Downey Jr. é um ótimo ator e sabe muito bem escolher seus papéis, Kiefer parece não se preocupar em ir além do já cultuado Jack Bauer da série 24 horas.

Em seu filme mais recente, Espelhos do Medo (Mirrors, 2008), ele interpreta um ex-detetive afastado da polícia de Nova York com a mesma voz sussurante, arma na mão e os "damn it" que caracterizam o imbatível agente da CTU. A história dos dois, porém, é bem diferente.

Espelhos do Medo

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Ben Carson não tem de lidar com terroristas dispostos a destruir o país ou matar os presidentes. Seu problema é menos globalizado. Ainda se recuperando de uma experiência traumatizante, ele inicia um novo trabalho como segurança de uma antiga loja de departamentos que pegou fogo. Logo no seu primeiro turno, que é de madrugada, ele começa a ver, ouvir e até sentir que há algo estranho por ali.

O filme, adaptação do sul-coreano Espelho (Geoul sokeuro, 2003), não perde tempo tentando fazer o espectador imaginar se aquilo é real ou algo que está acontecendo apenas na cabeça do protagonista. Um profundo corte na mão esquerda de Ben prova que, seja lá o que for, é algo perigoso.

O problema é que ninguém acredita naquele maluco que está sob forte medicamentos e que teve sua vida toda detonada. A "sorte" é que ele era um detetive e ainda tem as suas ligações na polícia local para ajudar na investigação.

O cineasta francês Alexandre Aja, que dirigiu um elogiado Alta Tensão (Haute Tension, 2003) em seu país, achou em Hollywood um lugar para montar seus sustos. Ele consegue criar o clima com a trilha sonora e o sombrio cenário cheio de manequins queimados espalhados pelo chão. Mas não consegue segurar a mão e opta pelos sustos das pombas voando pelo local e, claro, muitos espelhos, o maior chavão atual do gênero terror.

Falando da trama, na boa, alguém ainda aguenta esses filmes orientais em que é preciso descobrir a alma que está sofrendo e causando sofrimentos? A única diferença é que a vítima não é aquela criança com longos cabelos negros. Dessa vez são loiros e *CUIDADO COM O SPOILER* vira uma criatura à la Exorcista no final.

Sim, eu contei... assim você não precisa gastar o seu dinheiro com isso. Afinal, o único momento realmente interessante do filme já é mostrado no trailer, quando acontece um "suicídio" causado por abertura de mandíbula, no melhor estilo Didi Mocó. Vamos combinar que o Jack Bauer consegue fazer melhor do que isso, né?

Assista à sangrenta cena de abertura