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Era Uma Vez no México

Era Uma Vez no México

Érico Borgo
30.10.2003, às 00H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H15
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H15

O nome Robert Rodriguez aparece nove vezes nos créditos de Era Uma Vez no México (Once upon a time in Mexico, 2003). O cineasta é diretor, escritor, produtor, compositor, diretor de fotografia, montador, desenhista de produção, supervisor de efeitos especiais e operador de câmera.

Polivalência desse tipo é algo que geralmente só é encontrado em produções independentes, em que o mesmo profissional precisa acumular funções para manter os custos no mínimo, viabilizando assim sua idéia. Entretanto, esse não é o caso em Era uma vez no México. O filme teve 30 milhões de dólares de verba, custo de filmes de nível mediano em Hollywood. O que leva então Robert Rodriguez a trabalhar nove vezes mais que um diretor de cinema comum? A resposta parece ser uma só: princípios.

Era Uma Vez No México

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Rodriguez começou sua carreira com parcos 7 mil dólares, dinheiro que (reza a lenda) conseguiu servindo de cobaia em testes de drogas. Aprendeu a ser econômico e não abandonou as origens no decorrer de sua carreira. Na trilogia Pequenos Espiões (1, 2 e 3), por exemplo, gerou lucros homéricos para a Dimension Films com tal comportamento.

Para Era uma vez no México, isso não poderia ser diferente.

O filme encerra a trilogia formada por El Mariachi (1992) - seu primeiro filme - e A Balada do Pistoleiro (Desperado, 1995). Surpreendentemente, os 30 milhões do capítulo final pouco destoam dos 7 mil do original. Claro, agora há mais pirotecnias e grandes astros no elenco, mas a essência da primeira produção e a aura de produção independente está lá. Intacta.

A idéia da realização do terceiro filme partiu de Quentin Tarantino, que, numa conversa com o amigo Rodriguez, disse que El Mariachi e Desperado eram os equivalentes mexicanos aos primeiros "spaghetti westerns" do italiano Sergio Leone (1929-1989). Tarantino sugeriu então que, como Leone, Rodriguez deveria revisitar o tema com verba maior. E ele o fez. O próprio título do filme, "Era uma vez no México", presta homenagem à obra máxima de Leone no gênero: Era uma vez no Oeste (Cera una volta il West, 1968).

Na história, El Mariachi (Antonio Banderas) está em um exílio auto-imposto depois do cruel assassinato de sua esposa Carolina (Salma Hayek) e de sua filhinha. Quem consegue encontrá-lo é um camaleônico sujeito chamado Sands (Johnny Depp, com a competência habitual), um agente da CIA que tem uma proposta tentadora para o trovador mercenário.

Sands precisa da ajuda do Mariachi para impedir o assassinato do presidente mexicano e um subsequente golpe de Estado. Os crimes estão sendo arquitetados pelo chefão das drogas local (Willem Dafoe, ostentando um tremendo bronzeado), auxiliado por seu exército de capangas e seu braço direito, Billy (Mickey Rourke, deformado pelas plásticas e engraçadíssimo). Interessado no serviço, que pode render-lhe a sonhada vingança pela destruição de sua família, o Mariachi recruta Lorenzo e Fideo (Enrique Iglesias e Marco Leonardi), também músicos matadores, e começa a planejar suas ações. Entretanto, Sands escondeu alguns detalhes que poderão custar a independência do povo mexicano e culminar numa guerra civil que nem o Mariachi poderá impedir.

Analisar o resultado é interessante. A trama é confusa e a história se perde em diversos momentos, mas as atuações caricatas, os movimentos de câmera, as extravagâncias e os detalhes divertidos tornam o roteiro uma verdadeira alegoria. Só mesmo Robert Rodriguez para conseguir algo assim. A diversão proposta pelo "trash chic" do cineasta faz valer cada um dos 102 minutos da produção e deixa-nos ansiando pelo seu próximo projeto.

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