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Dreamgirls - Em busca de um sonho

Musical diverte, mas Beyoncé não convence

Eduardo Viveiros
15.02.2007, às 00H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H22
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H22

Seria muito fácil falar mal de Dreamgirls - Em busca de um sonho (Dreamgirls, 2007). Dizer que a produção suntuosa esconde um enredo que não aprofunda os sentimentos dos personagens. Que, na meia hora final, a história se perde. Ou cuspir que Beyoncé Knowles, como atriz dramática, é um ótimo corpinho.

Mas pra que estragar a festa? Dreamgirls não quer provar nenhum tipo de arte, e não precisa ser tratado como tal. É diversão e ponto.

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Baseado no musical homônimo, que estreou na Broadway em 1981, o filme é uma bela revisão da música negra estadunidense de vinte anos antes, daquele momento crucial em que o cinismo tomou conta da música e resultou no cenário de hoje, com rappers movidos a peso de ouro e divas R&B insossas construídas com massa de modelar.

O enredo, importado da peça, adapta em um trio fictício a história de Diana Ross e as Supremes. O caminho é praticamente o mesmo: garotas de Detroit descobertas pela recém-inagurada gravadora Motown fazem sucesso com o ingênuo doo-wop da época. Logo depois, a líder que canta bem é trocada pela integrante mais bonita para que o grupo emplaque nas paradas pop. Daí vem a decadência, com o som do trio se moldando à moda musical da época, do soul à disco music da década de 70.

O papel da gostosa com voz sem graça, é claro, caiu no colo de Beyoncé. A ex-Destiny's Child, apesar de ser a musa do cartaz, é a estrela mais apagada do elenco. Não é a toa que o filme perde boa parte da graça quando ela se torna a personagem principal. Beyoncé encarna com propriedade o novo momento da música negra, pasteurizado e chato, do qual é o expoente máximo hoje.

A concorrência da cantora-agora-atriz, que inclui Jamie Foxx e Danny Glover, não a ajuda. A novata Jennifer Hudson (que interpreta Effie, a gordinha que canta de verdade) rouba a cena assim que abre a boca. E Eddie Murphy alcança o grande papel dramático da sua carreira com seu cantor decadente, uma mistura de James Brown com Marvin Gaye.

Dreamgirls tem outros tantos pontos fortes além do elenco, como a direção de arte sensacional e os figurinos impecáveis. Para quem gosta das Supremes, vale prestar atenção para achar as dezenas de referências escondidas, nos vestidos das moças e nas capas dos discos. E o diretor Bill Condon, escolado depois de ter preparado o roteiro de Chicago (2002), consegue transferir o musical da Broadway com forca suficiente para a tela, não deixando espaço para o espectador pensar muito na história, costurada com as músicas possantes da trilha sonora.

Pelo menos é distração o bastante para diminuir a estrela superestimada de Beyoncé, uma mera coadjuvante dessa fantasia black, capaz de fazer todo mundo sair cantarolando feliz do cinema. Como nos bons e velhos tempos.

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