Drácula e a Universal
Drácula e a Universal
O
ano de 2002 marca o 71º aniversário de Dracula (leia
a matéria clicando
aqui), película estrelado por Bela Lugosi e que marca a inclusão
do vampiro no cinema falado. No entanto, a importância deste filme para
o cinema não se restringe apenas a esse marco. Afinal, foi graças
ao seu sucesso que a Universal Pictures conseguiu reinar absoluta durante
mais de vinte anos como a maior produtora de filmes de terror daquela época,
produzindo alguns dos maiores clássicos do gênero.
A Universal foi fundada por Carl Laemmle, entrando para o ramo cinematográfico em 1906, sendo, no momento, o estúdio mais antigo mantendo operações contínuas nos EUA.
Por duas décadas, a Universal investiu no cinema mudo. Depois de produzir seu primeiro filme sonoro The King of Jazz em 1930, o estúdio decidiu comprar os direitos da peça de Hamilton Deane e John L. Balderston, Dracula, devido ao sucesso alcançada pela mesma em todo o país, depois de extensa temporada na Broadway. O astro da peça na costa Oeste, Bela Lugosi, foi um dos principais responsáveis pela aquisição dos direitos para a Universal, negociando-os diretamente com Florence Stoker, viúva de Bram.
![]() Dracula espanhol |
O interessante é que, assim que Dracula começou a ser produzido, o executivo responsável por produções em língua estrangeira do estúdio, Paul Kohner, sugeriu que fosse realizada uma produção em língua espanhola usando os mesmos cenários. Assim sendo, Dracula foi lançado simultaneamente em versão inglesa e espanhola, com elencos diferentes, obviamente. A versão em espanhol alcançou um sucesso surpreendente para o que era um mercado bastante restrito na época. O elenco tinha Carlos Villarias (ou Villar), como Dracula, Lupita Trovar como Mina Harker, Barry Norton (Juan" ou Jonathan Harker), Eduardo Arozamena (Van Helsing) e Pablo Alvarez Rubio no papel de Reinfield.
![]() Dracula com Lugosi |
O filme estreou no México e em Nova Iorque em abril de 1931 e em Los Angeles no mês seguinte. Apesar de seguirem o mesmo roteiro, muitos dizem que essa versão é superior à protagonizada por Lugosi, em parte devido à movimentação de câmera mais ágil, imprimida pelo diretor George Melford, o que tornou o filme mais dinâmico do que seu irmão americano.
Infelizmente, a Universal não se preocupou em fazer cópias desse Dracula, de forma que ele praticamente sumiu do mapa por décadas. Em 1977, o American Film Institute tentou fazer uma cópia do arquivo usando os rolos então conservados na Biblioteca do Congresso. O processo se mostrou impossível, já que o terceiro rolo do filme encontrava-se em franco processo de decomposição.
Em 1989, no entanto, o escritor David J. Skal conseguiu rastrear uma cópia conservada em Cuba e na noite do Halloween de 1992 o filme foi exibido na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Graças a isso, o Dracula espanhol pôde ser lançado em vídeo, o que não tornou a possibilidade de encontrá-lo menos difícil.
![]() Frankenstein |
Já a versão com Lugosi começou devagar, mas acabou se tornando o filme de maior renda bruta naquele ano, salvando o estúdio da falência, depois de dois anos com sucessivos prejuízos. Seu sucesso impulsionou a Universal a produzir alguns dos maiores clássicos do terror em todos os tempos, como Frankenstein (1931) e The Mummy (1932), ambos protagonizados por Boris Karloff, The Invisible Man (1933), The Black Cat (1934) e The Bride of Frankenstein (1935). Drácula voltou a aparecer em 1936 em Draculas Daughter e novamente em 1943, com Son of Dracula. No Halloween de 2001, o canal a cabo Telecine Classic exibiu boa parte desses filmes, tendo alguns deles ainda em sua programação. São filmes de baixo orçamento, com efeitos especiais precários, mas que valem à pena serem conferidos, nem que seja a título de curiosidade.
Em 1936, Carl Laemmle perdeu o controle da Universal para Charles Rogers e J. Cheever Cowdin. Nos dez anos que se seguiram, a Universal consagrou-se como a maior produtora de filmes de horror da época, produzindo um sem número de filmes com baixo orçamento. Apesar de alguns deles terem vampiros como protagonistas ou mesmo personagens principais, Drácula foi posto de volta em seu caixão nesse período.
Em 1948, a Universal fundiu-se com a International Pictures, formando o conglomerado Universal International Pictures. Depois da produção de Abbott And Costello Meet Frankenstein, a UIP manteve-se afastada dos filmes de vampiro até 1957, quando produziu The Blood of Dracula. A inclusão de uma vampira, com o objetivo explícito de atingir ao público mais jovem, obteve o sucesso esperado e motivou o estúdio a investir novamente nas produções vampíricas. No entanto, em 1959 o fracasso de Curse of the Undead, a UIP decidiu se manter afastada das produções do gênero.
Exatos
vinte anos depois, em 1979, A UIP comprou novamente os direitos de Dracula.
A versão teatral experimentava um reavivamento na Broadway e o estúdio
contratou seu astro, Frank Langella para sua nova versão cinematográfica.
Nesta nova versão, John Seward é pai de Lucy Westenra
(agora Lucy Seward). Quando Mina Van Helsing (ex-Mina Murray) é
encontrada morta em circunstâncias misteriosas, John convoca o pai da
vítima, Abraham Van Helsing (interpretado por Laurence Olivier),
para resolver seu problema com Drácula.
Dracula de 1979 destaca-se, principalmente, pelo aspecto sexual/sensual que envolve a figura do protagonista. O Drácula de Langella apaixona-se primeiro por Mina e depois por Lucy, conseguindo seduzir a ambas. Seu triunfo ocorre quando ele invade o quarto de Lucy e compartilha seu sangue com ela, colocando-a sobre seu poder.
A morte de Drácula nesta versão também difere bastante da original. Depois de se encontrar cercado no navio no qual pretendia escapar da Inglaterra, o vampiro é cercado por Van Helsing e os outros homens que estavam em seu encalço. Derrotado, é estaqueado num gancho e levantado bem alto para ser morto pela luz do sol.
E essa acabou sendo a última investida da UIP em produções envolvendo Drácula ou qualquer outro vampiro. Antes disso, no entanto, em 1958, a UIP vendeu todos os copyrights de suas produções clássicas de terror para a inglesa Hammer Films, que acabou se tornando a maior produtora de filmes de horror na década de 60. Mas isso é assunto para o próximo artigo.
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