Filmes

Entrevista

Doutor Estranho | "É preciso analisar a fala para não cair na imitação", diz dublador nacional do protagonista

Fábio Azevedo foi galã de novelas nos anos 2000

Rodrigo Fonseca
04.11.2016, às 10H56
ATUALIZADA EM 04.11.2016, ÀS 12H00
ATUALIZADA EM 04.11.2016, ÀS 12H00

Com lotação esgotada na maioria das 1.288 salas de exibição brasileiras em que estreou na quarta, em pleno feriado de Finados, Doutor Estranho tem cerca de 70% de suas sessões em território nacional dubladas. Coube ao paulista Fábio Azevedo – ator de 37 anos, que foi galã de novela no início da década passada, quando chegou a fazer Malhação com enorme sucesso popular – a tarefa de dublar o vozeirão do inglês Benedict Cumberbatch em português, na versão gravada nos estúdios TV Group.

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Com passagens pela dublagem de fenômenos pop da TV como Game of Thrones Revenge, Azevedo carrega a arte de dublar em seu DNA, já que sua irmã, a atriz Sandra Mara, é a voz nacional da Chiquinha do Chaves. Nesta entrevista por e-mail ao Omelete, ele conta como foi encarar o protagonista de um dos filmes mais esperados anos, que apenas em um dia em cartaz no mundo rendeu aos cofres da Marvel uma arrecadação estimada em US$ 80 milhões. 

Omelete: Como é a preparação de um dublador para encarar um papel de protagonista que é onipresente em um filme, como é o caso agora com Cumberbatch? Exige algum treino, algum exercício vocal?

Fábio AzevedoGeralmente, não existe tempo de preparação, mas, para esses filmes, são feitos inúmeros testes até se encontrar a voz que tenha o match mais adequado. Esse tempo entre o teste e a possível aprovação dá ao ator tempo para se preparar pesquisando sobre o personagem. Como eu curto quadrinhos, além de já conhecer um pouco do personagem, minha pesquisa foi mais pontual. Com relação ao trabalho no estúdio, temos que nos preparar para um processo longo de gravação, que, às vezes, dura dias. Cuidados com a voz são obrigatórios.

Omelete: Que desafios um ator como Cumberbatch, famoso pelo vozeirão, impõe? Como estudar a voz dele para dublá-lo sem cair numa imitação?

Azevedo: Realmente o registro vocal do Cumberbatch é bem grave e imponente e ele, um excelente ator, que sabe fazer uso da voz como poucos. Na gravação, o segredo foi escutar inúmeras vezes o original e analisar fala a fala, para não cair na imitação por si só, o que é um erro comum. Para isso tive a ajuda de um dos melhores diretores de dublagem da atualidade, que é nerd de carteirinha: Sérgio Cantú. Além de me conduzir e alinhar minha interpretação, ele fez um trabalho primoroso de adaptação no texto.

Omelete: Como foi sua trajetória nas bancadas de dublagem até agora? Que personagens marcaram sua carreira e como é sua relação, como fã de dublagens clássicas? 

Azevedo: Eu comecei a dublar em 1998 aqui em São Paulo,  mas, pouco depois, fui fazer uma novela e me mudei para o Rio de Janeiro, onde não dublei nada. Já de volta a São Paulo, em 2002, eu me dediquei mais ao teatro e à dublagem. Fiz dublagem de inúmeros reality shows dos canais a cabo até começar a entrar com mais força na dramaturgia. Séries e desenhos como BossRevenge, Hulk e os Agentes de S.M.A.S.H,  Cavaleiros do Zodíaco, Game of Thrones e vários longas vieram desde então e todos foram marcantes e especiais. Com relação às dublagens clássicas, nada supera o seriado Chaves. Isso é potencializado pelo fato de a Chiquinha ter sido dublada pela minha irmã, Sandra Mara, um exemplo e inspiração no trabalho.

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