Sexo, fama e poder: Agora no streaming, Diva Futura revela a história do fenômeno Cicciolina e Moana Pozzi
Disponível com exclusividade na Reserva Imovision, filme revisita a agência que transformou atrizes em fenômeno internacional
Muito antes das redes sociais transformarem intimidade em produto e exposição em carreira, a Itália assistiu a mulheres como Cicciolina, Moana Pozzi e Eva Henger ocuparem um espaço até então impensável na cultura popular. Elas não ficaram restritas à indústria adulta. Entraram na televisão, na política e no imaginário de um país que ainda tentava conciliar desejo, religião e conservadorismo.
É nesse momento de ruptura que Diva Futura recupera. Dirigido por Giulia Louise Steigerwalt, o filme acaba de chegar com exclusividade ao catálogo da Reserva Imovision e reconstrói a trajetória da agência criada por Riccardo Schicchi, empresário responsável por transformar alguns de seus artistas em celebridades internacionais durante os anos 1980 e 1990.
Inspirado no livro Non dite alla mamma che faccio la segretaria, de Débora Attanasio, o longa escolhe um olhar menos óbvio para contar essa história. Em vez de observar a agência apenas por meio de seus rostos mais famosos, a narrativa acompanha Débora, secretária interpretada por Barbara Ronchi. É a partir dela que conhecemos os bastidores daquela espécie de família, formada por mulheres que conquistaram visibilidade e autonomia, mas também passaram a conviver com uma imagem pública sobre a qual tinham cada vez menos controle.
Essa contradição é o que torna Diva Futura mais do que uma reconstituição de época. O filme não ignora o glamour, o humor e a sensação de liberdade que marcaram aquele ambiente, mas também não separa esses elementos da objetificação e das consequências pessoais enfrentadas por suas protagonistas.
Por trás das personagens construídas para o público, havia mulheres com ambições, afetos, filhos, inseguranças e diferentes maneiras de compreender o próprio trabalho. Ao devolver essa dimensão humana a figuras tantas vezes reduzidas aos seus corpos, o longa propõe uma reflexão bastante atual sobre fama, liberdade e o preço de transformar a vida privada em espetáculo.
Pietro Castellitto interpreta Riccardo Schicchi. Denise Capezza vive Cicciolina, Tesa Litvan assume o papel de Moana Pozzi e Lidija Kordić interpreta Eva Henger.
Cicciolina e a conexão com o Brasil
Entre todas as figuras retratadas no filme, Cicciolina talvez seja a mais reconhecida pelo público brasileiro. Nascida na Hungria como Ilona Staller, ela ultrapassou as fronteiras da indústria adulta e se tornou uma personagem singular da cultura pop europeia.
Em 1987, foi eleita deputada para o Parlamento italiano, levando para a política debates sobre liberdade sexual, direitos individuais e costumes. No Brasil, sua presença em programas de televisão ajudou a consolidar sua fama. Anos depois, em 1996, ela participou da novela Xica da Silva, exibida pela Manchete, e ampliou ainda mais sua ligação com o público do país.
Sua trajetória ajuda a entender o alcance da Diva Futura. A agência não produziu apenas filmes. Ela criou celebridades em um momento no qual televisão, política e entretenimento começavam a se misturar de uma forma inédita.
De Veneza ao streaming
Diva Futura integrou a competição oficial do Festival de Veneza de 2024 e também fez parte da segunda edição do Festival de Cinema Europeu Imovision, realizada no Brasil em 2026. Barbara Ronchi veio ao país para acompanhar sessões especiais e conversar com o público sobre as mulheres retratadas na história.
Agora, o filme chega ao streaming como um retrato de uma indústria, mas principalmente das pessoas que viveram dentro dela. Uma história sobre liberdade e exploração, desejo e julgamento, visibilidade e perda de controle. Contradições que pertencem à Itália dos anos 1980, mas continuam bastante próximas do mundo atual.
Diva Futura está disponível com exclusividade na Reserva Imovision. Assine a plataforma pela Chippu por 7 dias grátis e assista agora.
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