Spielberg explica sua abordagem em Dia D: "cada cena é um mistério" (Exclusivo)
Em entrevista ao Omelete, Spielberg também falou sobre o uso de smartphones no blockbuster
Um dos maiores defensores da experiência cinematográfica da telona dos cinemas, Steven Spielberg colocou smartphones onde podia em Dia D, seu novo blockbuster de extraterrestres.
Retornando ao gênero que ajudou a definir com clássicos como E.T. - O Extraterrestre e Contatos Imediatos de Terceiro Grau, o cineasta destaca, em Dia D, a tentativa de um grupo de revelar arquivos secretos do governo americano que confirmam a existência de alienígenas. Essa divulgação, claro, precisa acontecer através da internet.
˜Estava na minha mente apenas como recebemos informações hoje em dia, diferente de anos atrás, explicou Spielberg em entrevista exclusiva ao Omelete. "Nos anos 1970, quando fiz Contatos Imediatos do Terceiro Grau, por exemplo. Mesmo naquela época, muitas pessoas recebiam informações pela televisão. Mas agora, estamos cercados por telas."
Steven Spielberg dirige Emily Blunt (E) e Wyatt Russell (D) em cena de Dia D.
"Agora somos basicamente seduzidos pela tela," ele disse, se referindo aos algoritmos que ditam o ritmo da vida com smartphones. "A tela não nos serve tanto quanto nós servimos à tela. E por causa disso, em um verdadeiro dia de revelação, a informação é exatamente como ela seria comunicada ao mundo."
Este "dia de revelação", Spielberg filma como ninguém mais pode. Um mestre da composição e do movimento de câmera, o diretor de Jurassic Park, Indiana Jones e tantos outros clássicos faz um espetáculo formalista em Dia D. Suas tomadas se transformam e crescem para acompanhar a intensidade da trama, mas esse conhecimento veio aliado ao improviso.
"Cada cena é um mistério, de certa forma," ele explica, como só alguém íntimo do cinema pode. "Eu não resolvo o mistério para depois escrever a cena. Eu escrevo a cena e depois descubro: como vou fazer isso? Como vou te convencer de que é real e não um efeito especial? Então cada cena é um desafio, e é isso que é empolgante no cinema para mim: criar uma pista de obstáculos para mim mesmo como cineasta, para tentar superar a barreira sem derrubá-la."
O resultado é um filme que nos traz de volta a sensação de deslumbramento tão associada aos filmes de Spielberg. Somos, de fato, servidos pela tela. Dia D estreia nos cinemas em 9 de junho.
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