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Entrevista

Diretor de Depois do Fogo elogia Josh O’Connor: “Expressa muito sem palavras”

Drama sobre fazendeiro atingido por incêndios florestais chega aos cinemas brasileiros

Omelete
6 min de leitura
10.03.2026, às 06H00.
Josh O'Connor em Depois do Fogo (Reprodução)

Créditos da imagem: Josh O'Connor em Depois do Fogo (Reprodução)

Max Walker-Silverman tem um tipo de ator favorito: quieto e cheio de alma. E o diretor encontrou um muso perfeito para o seu novo filme, o drama Depois do Fogo, em Josh O’Connor. No longa, o astro de The Crown e Rivais interpreta Dusty, um caubói que perde tudo durante um incêndio florestal, e precisa recomeçar em um abrigo cedido pelo governo.

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Josh O'Connor tem uma capacidade quase única de trazer muito calor e muita humanidade a um personagem, sem precisar de palavras”, comenta Walker-Silverman ao Omelete. “É um trabalho físico muito específico e técnico, mas é também uma espécie de essência humana e expressão da alma que eu não saberia definir”.

O cineasta ainda compara seu novo protagonista a Dale Dickey, a venerável atriz estadunidense que ancorou o seu filme anterior, o belíssimo Uma Canção de Amor (2022). Elogio de alto nível: veterana de quase 150 títulos entre filme e TV, Dickey tem roubado cenas em papéis coadjuvantes cômicos e dramáticos há décadas, e encontrou no filme de Walker-Silverman um papel protagonista à altura.

A seguir, confira o papo completo do cineasta com o Omelete!

OMELETE: Sou fã do seu trabalho desde Uma Canção de Amor. E acho que aquele filme, assim como Depois do Fogo, lida com pessoas vivendo às margens e como elas escolhem construir ou não uma comunidade ao seu redor. Por que você acha que se sente atraído por esse tipo de história e personagens?

WALKER-SILVERMAN: Essa é uma pergunta difícil. É uma boa pergunta, que não deveria ser difícil, mas não sei como te explicar. Não há lógica nisso, não é uma questão racional. É apenas uma questão do coração. E o que quero dizer com isso é que já vivi em cidades, conheci pessoas ricas e tive ótimas experiências nesses mundos, mas isso nunca fez meu sangue pulsar, nunca deu asas à minha imaginação, nem me deu o amor necessário para fazer arte. Por outro lado, vivi a maior parte da minha vida em áreas rurais, conhecendo, amando e sendo amado por pessoas rurais estranhas, selvagens e silenciosas, e esses relacionamentos preenchem meu coração, fazem minha imaginação voar e me dão vontade de fazer filmes. Não sei exatamente o porquê, mas é com isso que me importo e de onde vem minha inspiração. Acho que é simplesmente porque essas são as pessoas que mais amei.

OMELETE: Como seus personagens principais tendem a ser mais silenciosos, você precisa de ótimos atores para nos fazer conectar com eles. Por que você acha que Josh O'Connor foi a escolha perfeita para o Dusty? Você vê semelhanças entre o trabalho dele e o de Dale Dickey em Uma Canção de Amor?

WALKER-SILVERMAN: Sim, acho que o Josh O'Connor tem uma capacidade quase única de trazer muito calor e muita humanidade a um personagem, sem precisar de palavras. É um trabalho físico muito específico e técnico, mas é também uma espécie de essência humana e expressão da alma que eu não saberia definir. Vejo muitas semelhanças entre ele e Dale Dickey. Ambos são pessoas com quem se pode estar e sentar ao lado, sentindo algo por elas mesmo sem saber o porquê. E são também pessoas que, quando finalmente dizem ou expressam algo, significa ainda mais, por causa da paciência necessária para chegar até lá.

OMELETE: Você filmou Depois do Fogo no Vale de San Luis, no Colorado, que entendi não ser longe de onde você cresceu. Como foi tentar capturar a beleza da paisagem e nos transportar para aquele lugar? E o que você acha que essa locação acrescenta ao filme?

WALKER-SILVERMAN: Na minha opinião, o Vale de San Luis é um dos lugares mais especiais do mundo. É tão bonito, tão ríspido, meio escondido e protegido de grande parte do mundo moderno, tanto para o bem quanto para o mal. E há, principalmente, uma história muito longa da comunidade local. A maioria das famílias e das pessoas está lá há muito tempo, por várias gerações, e sente uma conexão incrível com o lugar. Isso foi muito emocionante para mim, e tornou o trabalho lá muito especial. Fica a cerca de 100 quilômetros de onde cresci, então era familiar, mas ao mesmo tempo diferente o suficiente para ser intrigante, e esse tipo de combinação entre o intrigante e o familiar é muito fértil para a arte. É um lugar realmente incrível e as pessoas de lá... não poderíamos ter feito o filme sem elas.

Cena de Depois do Fogo (Reprodução)
Cena de Depois do Fogo (Reprodução)

OMELETE: Quando estreou em Sundance [em 2025], Depois do Fogo pareceu muito premonitório, já que os EUA tinham acabado de passar por grandes incêndios florestais que repercutiram no mundo todo. Você hesitou em fazer um filme que abordasse esse assunto? E por que acha importante contar essa história?

WALKER-SILVERMAN: Não, não hesitei. Fui inspirado a contar essa história depois que a casa da minha avó queimou em um incêndio florestal. Sempre seria algo muito pessoal, talvez pessoal demais para algumas pessoas. Foi intenso e estressante o fato de ter estreado enquanto Los Angeles, o centro do cinema no meu país, ainda estava queimando. Mas a coisa louca de fazer um filme é que você começa a produzi-lo e não sabe em que tipo de mundo ele vai estrear. Você não sabe como o mundo estará daqui a quatro anos. Mas acho que a arte tem a responsabilidade de se manter firme e, se for feita de forma honesta e com o coração, acredito que ela tem o direito de existir em qualquer tipo de mundo. 

Agora, por exemplo, estamos contando muitas histórias sobre mudanças climáticas. E essas precisam ser histórias sobre como continuamos a lutar, a resistir aos efeitos disso e ao que estamos fazendo com o mundo, mas também sobre como continuar vivendo agora que estamos aqui, como ainda ter esperança, acreditar, cuidar uns dos outros e ter famílias. Estranhamente, é em meio à dificuldade que a comunidade costuma ser mais forte. Isso ficou claro em Los Angeles, mesmo diante da coisa mais horrível que você pode imaginar. Apesar de tudo, as pessoas sentiram mais orgulho e amor pela sua cidade do que tinham antes de tudo acontecer. Desculpe a resposta longa e confusa, mas é uma pergunta ampla.

OMELETE: Depois do Fogo fala lindamente sobre os lugares, pessoas e coisas que cada um de nós chama de lar. Por mais que seja sobre deslocamento, é também sobre descobrir o que torna o seu lugar, seu. O que você diria que o Dusty aprende sobre lar, terra e família ao longo do filme?

WALKER-SILVERMAN: Acho que, no final das contas, o filme decide que o lar é muito mais do que nossa experiência presente dele. Talvez, de forma mais ampla, sejam nossas memórias dele. É o passado que está ali, e as nossas esperanças para ele, o que o futuro pode reservar. O presente, de certa forma, é a parte mais frágil e infinitesimal de todo esse espectro. E, se houver memórias e esperanças, sempre pode haver um lar, de alguma forma, independentemente das mudanças. E tem que ser mais do que um edifício, é claro. São as pessoas, é o amor. Acho que sabemos disso, mas são verdades difíceis de lembrar. Então, sim, é isso que o lar é para mim. É o passado, é o futuro, e são as pessoas que estão no presente junto conosco.

OMELETE: Muito obrigado, Max. E parabéns pelo lindo filme!

WALKER-SILVERMAN: Obrigado!

*Depois do Fogo estreia nos cinemas brasileiros em 12 de março.

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