Dark Horse | Filme sobre Bolsonaro tem o maior orçamento do cinema brasileiro
Valor repassado por Daniel Vorcaro para o filme o situa no topo da lista de maiores orçamentos
Em matéria publicada pelo The Intercept Brasil, foi revelado que o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, recebeu aproximadamente R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido no escândalo do Banco Master.
O valor é superior aos orçamentos dos dois últimos filmes brasileiros indicados ao Oscar, “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. Mais do que isso, o orçamento faria de “Dark Horse” o filme mais caro produzido na história do Brasil.
De acordo com a reportagem, o valor combinado seria ainda superior, girando na casa dos R$ 134 milhões. Porém, com a prisão de Vorcaro, os repasses foram suspensos próximo da metade, totalizando os R$ 61 milhões.
O Omelete levantou os custos de produções de alguns dos filmes mais caros já produzidos no país para dar uma dimensão do orçamento de Dark Horse. Confira!
Central do Brasil (1998)
Indicado nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz, Central do Brasil contra a história de Dora (Fernanda Montenegro), uma professora aposentada que leva a vida com amargura e ganha um trocado escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Sua vida muda quando o menino Josué (Vinícius de Oliveira) vê a mãe morrer atropelada em frente à estação, e pede ajuda a Dora para encontrar o pai. Então, ela parte em uma viagem rumo ao Nordeste para encontrar Jesus, o pai do menino, dando início a uma jornada inesquecível pelas diferentes realidades brasileiras.
Dirigido por Walter Salles, o filme teve um orçamento estimado em cerca de R$ 3.9 milhões, na época, que seriam equivalentes a R$ 26 milhões na cotação atual. Central do Brasil contou com apoio da Rio Filme e da Lei do Audiovisual, sendo um marco do chamado “Cinema de Retomada”.
O Agente Secreto (2025)
Fenômeno de crítica mundo afora em 2025, O Agente Secreto conquistou indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Elenco. Infelizmente, o filme passou em branco na cerimônia, mas conquistou dezenas de prêmios pelo mundo. Ambientado no Recife dos anos 1970, o longa acompanha Marcelo, um professor universitário que está sendo perseguido por matadores durante a Ditadura Militar. Ele se refugia no Recife, onde aguarda a documentação para conseguir fugir para o exterior com o filho, só que as coisas acabam não saindo como o esperado.
O orçamento do filme mais falado de 2025 foi de R$ 28 milhões, dos quais R$ 7,5 milhões vieram do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA/Ancine), e R$ 3 milhões foram obtidos através de renúncia fiscal pela Lei do Audiovisual. O restante do valor veio da iniciativa privada.
Cidade de Deus (2002)
Indicado a Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia no Oscar 2004, Cidade de Deus é tido por muitos como um dos maiores filmes da história do cinema. Ambientado no Rio de Janeiro entre as décadas de 1960 e 1980, o longa de Fernando Meirelles conta a história da formação da comunidade da Cidade de Deus, na Zona Oeste, e de como o crime organizado tomou conta da região. Ao longo da trama, personagens inesquecíveis, como Buscapé (Alexandre Rodrigues) e Zé Pequeno (Leandro Firmino), são desenvolvidos em um tipo de faroeste urbano moderno.
Cidade de Deus teve um orçamento estimado em R$ 8 milhões e 200 na época, que seriam equivalentes a cerca de R$ 38 milhões na cotação atual. 15% do custo do filme foi captado pela Lei do Audiovisual.
Ainda Estou Aqui (2024)
Filme que conquistou o primeiro Oscar da história do Brasil, pela categoria de Melhor Filme Internacional, Ainda Estou Aqui também foi indicado a Melhor Atriz (Fernanda Torres) e Melhor Filme. Adaptação do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, o longa acompanha os dias da família do ex-deputado Rubens Paiva (Selton Mello) no Rio de Janeiro da década de 1970. O patriarca acaba sendo levado e assassinado pela Ditadura Militar, que não reconhece suas ações e passa a considerar Rubens como “desaparecido”. O filme mostra as dores da família na adaptação a essa nova vida, enquanto Eunice Paiva (Fernanda Torres) investiga o desaparecimento do marido e tenta manter a família unida.
O orçamento de Ainda Estou Aqui nunca foi divulgado, apesar de uma reportagem da Folha de S. Paulo ter estimado o custo da produção em R$ 45 milhões. Por ter sido completamente pela iniciativa privada, o filme não usou leis de incentivo, como a Lei Rouanet ou a Lei do Audiovisual.
Corrida dos Bichos (2026)
Anunciado para estrear em 2026, a ficção científica distópica “Corrida dos Bichos” vinha sendo vendida como o filme mais caro da história do Brasil. Com orçamento estimado em 5 milhões de dólares, cerca de R$ 28 milhões na época das filmagens, o filme explora uma nova versão do “Jogo do Bicho”, em que participantes oferecem pessoas amadas como garantia e precisam entrar numa corrida pela vida pelas ruínas do que um dia foi a Cidade Maravilhosa.
Com orçamento estimado em 5 milhões de dólares, Corrida dos Bichos ficaria muito abaixo no ranking de produções nacionais mais caras, considerando que o orçamento de Dark Horse, até o momento da interrupção dos repasses, se aproximou dos 12 milhões de dólares.
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