Zumbilandia

Créditos da imagem: Divulgação

Filmes

Crítica

Zumbilândia - Atire Duas Vezes

Sequência repete piadas, mas continua divertindo (e matando zumbis)

Marcelo Forlani
24.10.2019
15h29

Sabe aquele reencontro com os amigos das antigas, em que alguém começa a relembrar um fato engraçado que aconteceu um tempão atrás e todo mundo quase cai da cadeira de tanto rir? Então, Zumbilândia: Atire Duas Vezes (Zombieland: Double Tap, 2019) é mais ou menos isso. 

Dez anos se passaram desde Zumbilândia (Zombieland, 2009), quando conhecemos Tallahassee (Woody Harrelson), Columbus (Jesse Eisenberg), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin). Com suas regras, o narrador nerd interpretado por Eisenberg não apenas sobreviveu ao apocalipse zumbi, como ainda conseguiu juntar um grupo de pessoas que se complementava - incluindo aí a tampa para a sua panela, a sua cara-metade, a flecha para a sua besta, papel que cabe a Emma Stone. 

Neste segundo filme, os dois pombinhos exterminadores de mortos-vivos, a irmãzinha (crescida) da moça e o caipira duro na queda estão muito bem instalados em um dos lugares mais seguros dos Estados Unidos, digo, Zumbilândia, e vão acompanhando da sua segurança uma mudança nos comedores de cérebros. Alguns evoluíram, estão mais ágeis, inteligentes e/ou quase indestrutíveis. Enquanto outros, bom, eles ganharam o apelido de Homer, em “homenagem” ao pai dos Simpsons. E esta é apenas uma das diversas referências à cultura pop e ao mundo moderno. 

Apesar de repetir piadas e situações que já vimos antes, o roteiro agora assinado por Dave Callaham e os já conhecidos Rhett Reese e Paul Wernick traz também algumas novidades. A principal é a entrada de Zoey Deutch, como a patricinha Madison, mas temos também Luke Wilson e Thomas Middleditch fazendo uma versão “bizarra” dos heróis e ainda Rosario Dawson, arrasadora como sempre. Os novos atores não chegam para reinventar nada, mas são o suficiente para acrescentar novos pontos de vista e, assim, mais humor. O único que não funciona bem é Avan Jogia, que faz o papel do riponga Berkeley. Dá para entender onde os roteiristas pretendiam chegar com o personagem, mas podemos combinar que é melhor deixar as piadas de maconheiro para o Seth Rogen e sua turma?

Outra coisa que continua da mesma forma é a estética, abusando de slow-motion em cenas de ação e dos textos que vão se fundindo ao cenário e também desabando com ele a cada desmorto que precisa ser detido. É a repetição do que funcionou, a receita do bolo sendo usada mais uma vez apenas porque a piada continua sendo a mesma, sim, e mesmo depois de tanto tempo, continua engraçada. Resta saber se, depois de 10 anos, os fãs do primeiro filme ainda se lembram, se importam e vão se arriscar em ir ao cinema.

P. S. Não ouse levantar do cinema assim que o filme acabar. Se você curtiu o primeiro filme e aguentou até este momento, a cena pós-créditos a seguir vai te fazer sair da sala ainda mais feliz.

Nota do Crítico
Ótimo