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Crítica

Xuxa e os Duendes | Crítica

Xuxa além da lenda... você não vai acreditar!!

Marcelo Forlani
21.12.2001
01h00
Atualizada em
21.09.2014
13h12
Atualizada em 21.09.2014 às 13h12

Depois da chuva de e-mails bomba que recebi no ano passado pela resenha de Xuxa Pop Star, decidi voltar ao cinema este ano para procurar pontos positivos no produto nacional mais visto na telona nos últimos anos, a Xuxa. Nos dois últimos anos, a Rainha dos Baixinhos colecionou recordes seguidos com Xuxa Requebra (2.1 milhão de pessoas) e Xuxa Pop Star (2,4 milhão de espectadores). A produção foi uma das apostas da Warner Bros. para dezembro, tanto é que a distribuidora acabou adiando a estréia brasileira de O Senhor dos Anéis em alguns dias... hã, será que alguém realmente imaginou que uma pessoa trocaria um filme pelo outro&qt&&qt&&qt&

Apesar da boa intenção, a missão logo se mostrou impossível. Quer saber como o filme começa&qt& Com a mesma música que atormentou todo mundo que foi ver Harry Potter e a Pedra Filosofal e teve que assistir ao trailer... duuuuuueeeeendiiiiiiissssss... eca! Depois aparece a voz da Xuxa tentando imitar uma velha (ela tinha um quadro destes numa das versões do programa dela e não aperfeiçoou nada desde então). A vovó está contando a história preferida do neto, sobre os elementais e os duendes. Enquanto rola a naração os pequeninos de orelhas pontudas aparecem dançando uma quadrilha. Veja bem, não é uma espécie de quadrilha, é uma coreografia exatamente igual às que vemos nas festas juninas! E eis que num take aparece aquilo que faria 8 de 10 pessoas desistirem de tudo e irem embora: Carlinhos Brown está lá batucando! Sim, ele é um doente, ops, duende!!! Para mim, a cena funcionou como aquela seqüência do MIB em que vários atores famosos são mostrados num telão, fazendo alusão de que são ETs. Eu sempre desconfiei que o Brown não era humano!!

Resisti bravamente ao olodum, à gritaria das crianças e às mães que não paravam de conversar do meu lado e continuei no cinema. Pior não pode ficar, pensei. Errei. O filme se mostra inconstante, com atuações mais fracas que as piadas da Playboy, um roteiro extremamente infantilizado e diálogos incoerentes. Quando o rei Mika (Emiliano Queiróz) usa um jogo de tabuleiro para passar os ensinamentos ao seu herdeiro, ele fala que, assim como na vida, um principiante deve pensar muito antes de jogar. Só assim poderá vencer. Daí o moleque, sem gastar meio neurônio, apenas joga uns dados e grita ganhei! Ganhei!. Ué, mas não tinha que pensar&qt& Ou com penso é mais caro&qt&

Seguindo o padrão de qualidade xuxiano de elenco, estrelas do quilate de Ana Maria Braga, Luciana Gimenez, Luciano Huck, Angélica e Vanessa Camargo enchem a tela (e o nosso saco) com suas atuações. Até Gugu Liberato tem lá o seu papel de empresário dominado por forças malignas (Guilherme Karan) que vai destruir a floresta onde moram os tampinhas de chapéu engraçado. Xuxa, com o perdão do S P O I L E R, é Kira uma duende que veio ao mundo dos humanos para não deixar as pessoas esquecerem de acreditar no poder da natureza e da magia, e desta forma garantir que os filhotes de papai Smurf continuem existindo. Não dá para entender o que a Dona Benta (Zilka Sallaberry) e o Visconde de Sabugosa (André Valli) fazem perdidos no meio deste povo. Mas o mais chato de todos é o tal do Damiz (Leonardo Cordonis). O ator mirim não tem dicção, logo não deveria trabalhar nesta profissão. Parece até um locutor da rádio paulistana Brasil 2000 que tinha a língua p´esa. Vai fazer fono, rapaz!

Há de se destacar, porém, que houve uma evolução sem precedentes na carreira da loira. Diferente do merchandising sem-vergonha dos filmes anteriores, desta vez só na hora dos créditos é que uma atriz aparece falando maravilhas do Natucor - uma tintura para cabelos. Que progresso!!! Diria que está DEZ VEZES MELHOR! Sabe como é, né&qt& 10 x 0 = 0, certo&qt& :D