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Crítica

Crítica: Xeque Mate

Xeque Mate

Marcelo Forlani
14.09.2006
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h20
Atualizada em 21.09.2014 às 13h20

Tem uns filmes que você olha para os nomes das estrelas envolvidas e não entende como tanta gente tarimbada entrou naquela roubada. Por outro lado, existem também aquelas produções em que fica difícil entender por que foram tão mal criticados e não conseguiram conquistar o público. Xeque-Mate (Lucky Number Slevin, 2006) tinha cara de fazer parte do primeiro grupo, mas a cada diálogo, a cada nova reviravolta da trama, se mostra o caso de filme mal aproveitado pelo público do cinema, mas que pode ganhar o seu espaço quando sair em DVD.

A história toda gira em torno de Slevin (Josh Hartnett), um cara extremamente calmo, até mesmo quando a casa está literalmente caindo pro lado dele. No início, o prédio onde mora está para ser demolido e ele pega a sua namorada com outro. Para dar um tempo até passar esta onda de azar, ele resolve atravessar o país e passar uns dias na casa de Nick Fisher (Sam Jaeger), um amigo que mora em Nova York. A primeira coisa que faz quando chega à Big Apple é ser assaltado.

Xeque Mate

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A sorte parece estar mudando quando a bela e inquieta Lindsey (Lucy Liu), vizinha de Nick, bate à porta do apartamento. Só parece. O que vem em seguida deixa todos os fatos anteriores pequenos. Ao ser confundido com Nick, Slevin passa a ser cobrado pelos dois maiores gângsteres da cidade, o Chefe (Morgan Freeman) e o Rabino (Ben Kingsley). E para provar que coisas ruins nunca vêm sozinhas, um dos mais temidos matadores de aluguel, Goodcat (Bruce Willis), está na cidade e segue de perto seus passos.

 

Todo esse vai-e-vem acontece muito rápido e novos personagens vão surgindo na mesma intensidade que a vida acontece em Nova York, a famosa Cidade Que Nunca Dorme. O ritmo frenético é acompanhado também nos diálogos, que são afiados e muitas vezes tão aparentemente despropositados quanto num filme de Quentin Tarantino. Não chega a ter gente discutindo como se fala Big Mac na França, mas a certa altura do filme o Sr. Goodcat conta que "certa vez Charlie Chaplin entrou em um concurso de sósias do Charlie Chaplin em Monte Carlo e terminou em terceiro."

Dois elementos colaboram para deixar o filme ainda mais interessante: o visual (contando aí roupas e cenários) e os atores. Por exemplo, Morgan Freeman, que tem cara de bonzinho e já fez até Deus (em Todo-Poderoso), mostra que também pode fazer um ótimo mafioso. Mas quem se destaca mesmo é Josh Hartnett. Seu Slevin é blasé no limite e as suas atitudes não-tô-nem-aí vivem fazendo com que ele leve bordoadas por aí. É o cool que é tão cool que dá raiva. Ou você acha normal ser levado pelas ruas de Nova York trajando apenas uma toalha de banho? Pelo jeito despreocupado como ele anda, parece que já fez isso muitas outras vezes.

Se você achou tudo muito confuso, com informações em excesso para serem retidas em pouco tempo, não se preocupe. Basta saber que no final, como num episódio do Scooby-Doo, as explicações aparecerão mastigadinhas, com direito a flashbacks e tudo mais. E isso, na verdade, é um grande desperdício. Toda a trama é bem costurada e dá dicas do que está acontecendo. Se o título nacional faz referência a um jogo de xadrez, o desfecho deixa um pouco a desejar, pois nivela os espectadores por baixo. Quem passa seu tempo na frente do tabuleiro sabe que a derrubada do rei não precisa ser literal. Basta deixar todas as peças bem colocadas no tabuleiro para concretizar o tal xeque-mate.

Xeque-Mate
Lucky Number Slevin
Xeque-Mate
Lucky Number Slevin

Ano: 2006

País: EUA

Classificação: 16 anos

Duração: 109 min

Direção: Caroline Bottaro

Elenco: Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Valérie Lagrange, Francis Renaud, Alexandra Gentil, Alice Pol, Élisabeth Vitali, Jennifer Beals, Dominic Gould

Nota do Crítico
Ótimo

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