Filmes

Crítica

X-Men - Dias de um Futuro Esquecido | Crítica

Nem tudo pode ser salvo por viagens no tempo

Érico Borgo
18.05.2014, às 21H37
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H48
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H48

X-Men é conhecida por ser a série de super-heróis com a cronologia mais confusa no cinema. Três filmes principais, mais um prelúdio e dois longas de Wolverine foram produzidos com incoerências entre eles grandes demais pra listar. O primeiro X-Men era parte da primeira leva de filmes de super-heróis, afinal, quando a preocupação ainda era se colantes funcionariam para o grande público ou não. Nem passava pela cabeça dos executivos a questão da criação de um universo coeso para super-heróis nas telas.

X-men

None

X-men

None

X-men

None

X-men

None

X-men

None

Quatorze anos depois de Wolverine ter desembainhado as garras pela primeira vez no cinema, o momento é completamente distinto: os colantes funcionaram - e muito! - e o público quer algo mais do que a tradicional trilogia de filmes que foi a regra tanto tempo. Mas como tornar a salada super-heroica de X-Men algo coerente outra vez?

A resposta é clara para qualquer nerd: viagem no tempo! Uma pequena mudança no passado e você tem uma desculpa para apertar o botão de reset e recomeçar sem amarras. Melhor ainda... os mutantes têm nos quadrinhos uma das melhores histórias de viagem no tempo já criadas, Dias de um Futuro Esquecido, que inspirou até James Cameron e seu Exterminador do Futuro.

O sétimo filme dos filhos do átomo, X-Men - Dias de um Futuro Esquecido pega a premissa básica da história em quadrinhos e a adapta à realidade confusa da franquia cinematográfica. Na trama, depois do assassinato de um industrialista das armas, Bolivar Trask (Peter Dinklage), o governo dos EUA aprova a criação de um exército de robôs caçadores de mutantes, os Sentinelas. No futuro desolado, uma pequena célula de X-Men resiste à ameaça e cria um plano para salvar sua raça: enviar a consciência de Wolverine (Hugh Jackman) de volta aos anos 70 para impedir o evento, mudando o rumo da história.

Duas gerações de X-Men (a clássica e a de X-Men: Primeira Classe) são reunidas nesses dois momentos temporais, juntando elencos (há até uma cena com Patrick StewartJames McAvoy, os dois professores Xavier) e ignorando os eventos que seriam inexplicáveis mesmo com toda a criatividade dos roteiristas (como as cenas pós-créditos de X-Men 3X-Men: Origens - Wolverine, ignoradas aqui). Sobram explicações e teorias para justificar tudo isso e o resultado é decente, ainda que não sobreviva a qualquer escrutínio de mais de 30 segundos.

A ambientação setentista começa bastante divertida, com referências de thrillers e filmes de assalto da época, no melhor estilo exploitation, com músicas bem selecionadas e dando um ar despretensioso à aventura. Mas ao final, o que melhor funciona em X-Men - Dias de um Futuro Esquecido é o que nunca deixou de funcionar nos quadrinhos - mesmo nas piores fases -, as interações entre os personagens e as cenas de ação.

De volta à cadeira do diretor que desocupou depois de X-Men 2Bryan Singer sabe como coordenar um falatório e extrair bons momentos do ótimo elenco. Já o combate - especialmente o do futuro - prende a atenção especialmente por apresentar mutantes cultuados, como Blink (Fan Bingbing), Mancha Solar (Adam Canto), Bishop (Omar Sy) e Apache (Booboo Stewart); e coreografar poderes e habilidades em painéis dignos das páginas da Marvel. Já o velocista Mercúrio (Evan Peters) surpreendentemente rouba a cena em uma das sequências mais inspiradas do longa.

Apesar do esforço, porém, a Fox repete os mesmos erros do passado. Diferente do brilhante Primeira Classe, que priorizava uma excelente história para aproveitar devidamente o elenco, X-Men - Dias de um Futuro Esquecido está muito mais preocupado com a limpeza narrativa que a trama proporciona. O filme parece mais uma desculpa para aposentar o elenco antigo e trazer novos atores à franquia, aproveitando o núcleo de Michael Fassbender (o Magneto), Jennifer Lawrence (a Mística, em versão com maquiagem simplificadíssima) e McAvoy, do que uma aventura à altura dos 50 anos de história dos mutantes.

Além disso, a necessidade de reviravoltas desnecessárias engessa mais uma vez a franquia. Mostrar o futuro corrigido era mesmo necessário já que a nova fase nem começou e já conhecemos seu final? A cena pós-créditos não poderia ter alguma relação efetiva com o que vimos? E pior... A cena conclusiva, que até colocaria o trem de volta aos trilhos, no intuito de dar um momento "pegadinha" para o público, volta a mostrar que os produtores não têm a menor ideia do que fazer a seguir. São coisas assim que dificultam a unidade da franquia, prenunciando mais uma fase de confusão nos X-Men das telas.

Certas coisas nem viagem no tempo corrige, aparentemente.

Confira nosso especial de X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido

X-Men - O Filme
X-Men
X-Men - O Filme
X-Men

Ano: 2000

País: EUA

Classificação: 12 anos

Duração: 97 min

Direção: Bryan Singer

Roteiro: David Hayter

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Ian McKellen, Famke Janssen, James Marsden, Halle Berry, Anna Paquin, Tyler Mane, Ray Park, Rebecca Romijn, Bruce Davison, Matthew Sharp, Rhona Shekter, Kenneth McGregor, Shawn Roberts, Stan Lee, Shawn Ashmore, Sumela Kay

Nota do Crítico
Bom

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.