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Crítica

X-Men - O Filme | Crítica

X-Maníacos do Brasil, durmam tranqüilos e na santa paz de Odin.

Jotapê Martins
04.08.2000
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h11
Atualizada em 21.09.2014 às 13h11

X-Men – o Filme é, com certeza, uma das mais felizes adaptações de quadrinhos para o cinema a que tive o prazer de assistir.

O diretor Bryan Singer, o roteirista David Hayter e produtor Tom deSanto (fãzaço dos mutantes) souberam dosar todos os ingredientes e tirar proveito dos 37 anos de aventuras dessas personagens.

X-Men: O Filme

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A trama tem tudo que se espera - ou melhor, se exige - de uma história de mutantes Marvel: dramas interpessoais, conflitos raciais, amizade e lealdade no infortúnio, passado misterioso, superpoderes milagrosos, ação coordenada de equipe e muita, mas muita pancadaria.

Assistindo ao filme, era como se eu estivesse lendo uma HQ de Chris Claremont e John Byrne. No roteiro de Hayter, não houve os excessos tão comuns a alguns quadrinhistas que meteram os pés pelas mãos, escrevendo X-Men. Tudo foi muito bem calculado a fim de que a trama não se perdesse em melodramas açucarados ou se enveredasse por quebra-paus gratuitos.

Mesmo assim, fica evidente que o filme sofreu edições de última hora. Na verdade, foi bastante editado. Apenas cortes radicais poderiam explicar a mudez inusitada de Ororo que só abre a boca lá pelo meio da história (justo ela, que é tão loquaz nos quadrinhos). Mesmo assim, o resultado final garantiu (ou poupou) a ação continua e necessária à qualquer aventura de super-heróis que se preze. A batalha na estação ferroviária dificilmente vai encontrar rival e, sem sombra de dúvida, é a melhor cena de luta que já vi num filme de super-heróis; superior até mesmo à luta do Homem de Aço contra os vilões de Krypton no final de Super-Homem II.

Sem grande tropeços, o roteiro flui bem e, num palpitante crescendo, garante excelentes caracterizações. Como no meu caso, o leitor habituado às HQs vai encontrar as personagens que lhes são tão caras e familiares. Todas elas estão lá, embora, por força da necessidade e da especificidade do cinema, suas origens tenham sofrido ligeiras modificações. Por sua vez, quem jamais ouviu falar de supermutantes, vai se deparar com protagonistas convincentes e uma trama bem elaborada. Em momento algum, a apresentação das personagens secundários emperra a história (Afinal, não estamos falando das quatro excrescências que a Warner aprontou com o Batman). Um a um, os elementos da aventura são apresentados sem prejuízo para a trama. Em poucos minutos, o mais leigo dos espectadores passa a saber o que é mutação no sentido Marvel, suas conseqüências sociais e políticas e quem são os envolvidos. Quarenta anos de gibi em menos de duas horas de celulóide. Nada mal.

Sem forçar a barra, Singer e Hayter levam-nos a aceitar com naturalidade elementos que, se mal elaborados, comprometeriam tudo. Basta citar o espinhoso passado comum de Charles Xavier e seu nêmesis, Magneto, mencionado, mas jamais mostrado no decorrer de toda a projeção. O que mais eu poderia dizer? Puro X-Men.

Por falar nos dois pólos opostos da causa mutante, Patrick Stewart e Ian McKellan, quando contracenam, deixam claro a que vieram. O confronto telepático entre Professor X e Magneto na frente da estação ferroviária, pouco depois da catastrófica batalha da Irmandade de Mutantes contra os X-Men, pareceu saltar diretamente das páginas de quadrinhos. Estavam lá todos os elementos característicos: os propósitos opostos, a preocupação com a causa mutante, o respeito mútuo, a decepção que um sente pelo outro e um duelo de superpoderes capaz de deixar qualquer fã de quatro. E pensar, meu Deus, que esperei mais de vinte anos (leio X-Men desde 1975) por essa cena.

O confronto em questão deve ter exigido extrema perícia da equipe de efeitos especiais e tomado várias horas da produção de 75 milhões de dólares. É, neste momento, que os poderes de Magneto são postos a prova. E, na minha opinião, Eric leva nota 10 com louvor. Se havia dúvidas de que estávamos diante do mutante mais poderoso da Terra, naquele instante, todas elas se dissipam.

Impressionantes também são os vilões da Irmandade de Mutantes. Diferente de seus adversários, na passagem dos quadrinhos para a película, foram eles que sofreram as maiores alterações. Depois de sua participação no filme, o Sapo, interpretado por Ray Park não poderá mais ser chamado de Groxo como ocorre nas revistas da Abril (mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa). Sua língua retrátil e extensa passa a ter múltiplas utilidades, sendo vital nos confrontos. Dentes-de-Sabre, levado às telas pelo lutador Tyler Mane, está mais animalesco do que nos gibis, preferindo rosnar a falar. Conta-se, nos dedos, o número de palavras que proferiu. Melhor assim. A mais bela coreografia de luta, porém, cabe à vilã Mística. Interpretada por Rebecca Romijm-Stamos, ela também se apresenta muito diferente dos quadrinhos, mas quer saber? Ficou superior. No filme, ela é especialista em artes marciais e dá o maior cacete no Wolverine. Tiro meu chapéu para Corey Yuen, que coreografou a cena. A atriz é mesmo escultural. Dá pra notar pela silhueta, mas só pela silhueta. Qualquer outro detalhe da bela modelo está devidamente encoberto por 7 a 10 horas diárias de maquiagem.

Nota do Crítico
Ótimo