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Crítica

Wolverine - Imortal | Crítica

Não morre no final

Érico Borgo
17.10.2014
16h34
Atualizada em
29.06.2018
02h48
Atualizada em 29.06.2018 às 02h48

Depois do triste pastiche mutante chamando X-Men Origens: Wolverine, o personagem precisava de um longa-metragem que devolvesse a ele sua dignidade. Ainda que passe longe de ser irretocável, Wolverine - Imortal... não morre no final.

Wolverine - Imortal

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Baseado nas histórias em quadrinhos de Chris Claremont e Frank Miller, em que Logan viaja ao Japão para recuperar o amor da bela Mariko Yashida, a nova aventura é extremamente bem-sucedida em estabelecer a relação romântica entre os dois. Todos os personagens japoneses - inéditos no cinema - são bem desenvolvidos (apesar das vastas liberdades em relação aos quadrinhos) e sua relação com o mutante é satisfatória. A ambientação também agrada - é raro um filmão de Hollywood ter tantos trechos com legendas e ser respeitoso à tradição que está sendo retratada.

Wolverine - Imortal tem sensibilidade e paciência ao retratar os momentos entre Logan (Hugh Jackman) e Mariko (Tao Okamoto) - tanto que essas cenas sequer pareceriam um filme de super-heróis convencional, não fossem as garras que surgem de tempos em tempos. O grande problema do filme é mesmo conceitual.

Em "Eu, Wolverine", a HQ, Logan luta por amor e por controle. Em jogo não está apenas a bela japonesa, mas a própria humanidade do personagem. O herói é humilhado pelo pai da moça devido à sua fúria cega - algo central na história do mutante. O cenário japonês é perfeito para demonstrar isso, já que é a terra da honra, educação e das tradições. Mas como nos cinemas o Wolverine sempre foi deturpado em relação à sua origem na Nona Arte (o mutante "berserk" nunca aflorou de verdade), perde-se esse elemento, substituído aqui por uma suposta "imortalidade", um exagero em relação aos poderes, outrora finitos, do x-man.

A bela história sobre um homem em busca de superação para tornar-se alguém à altura da mulher que ama, portanto, vira a busca de um sujeito deprimido por uma perda (Famke Janssen, a Jean Grey da série X-Men, aparece o tempo todo nos sonhos do herói) para retomar algo que lhe foi tirado - e que no processo encontrou uma gatinha...

Para quem não conhece os quadrinhos e acha que o mutante tem 1,90 metro mesmo, a simplificação deve funcionar maravilhosamente bem. De qualquer forma, ela é tão contida, pouco interessada em explosões e mais centrada nos personagens, que acaba tornando-se aquele filme desejado que devolve ao mutante a dignidade perdida - mesmo que seja a do personagem que o cinema adaptou e não a do herói que existe há quase 40 anos nas páginas.

Desagradam, porém, as concessões do clímax, que tenta recuperar o entusiasmo que acredita ter perdido no desenvolvimento tranquilo. Explodem aí na tela os vilões cartunescos, que explicam seus planos, demonstram poderes e cometem suas atrocidades, no caminho devastando um dos grandes personagens japoneses da Marvel, o Samurai de Prata.

Felizmente, o saldo é positivo e, diferente das expectativas, não vai enterrar a franquia do mutante, que retorna em X-Men - Dias de um Futuro Esquecido, outra grande HQ que será adaptada (e certamente bagunçada) pelo cinema.

Especial Wolverine Imortal
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Wolverine Imortal | Cinemas e horários

Wolverine: Imortal
The Wolverine
Wolverine: Imortal
The Wolverine

Ano: 2013

País: EUA

Classificação: 14 anos

Duração: 128 min

Direção: James Mangold

Elenco: Hugh Jackman, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Hiroyuki Sanada, Svetlana Khodchenkova, Brian Tee, Hal Yamanouchi, Will Yun Lee, Ken Yamamura, Famke Janssen, Shinji Ikefuji, Qyoko Kudo, Conrad Coleby, Taris Tyler, Sarah Naylor-Liddell

Nota do Crítico
Bom

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