Vidro

Créditos da imagem: Disney/Divulgação

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Crítica

Vidro

Shyamalan cria um filme de ação divertido, mas deixa escapar a chance de criar algo especial

Fábio de Souza Gomes
17.01.2019
13h13
Atualizada em
17.01.2019
13h38
Atualizada em 17.01.2019 às 13h38

M. Night Shyamalan encerra a trilogia de Corpo Fechado e Fragmentado com Vidro, longa que consegue reunir dois filmes bem distintos. A produção é divertida e conta com bons momentos de ação, mas o diretor deixou escapar a oportunidade de criar algo realmente especial.

Bruce Willis retorna como David Dunn e Samuel L. Jackson é o Sr. Vidro, homens que descobriram seu lugar no mundo em Corpo Fechado – cada um do seu lado da lei. De Fragmentado, James McAvoy reprisa seu papel como Kevin Wendell Crumbe suas personalidades que, agora, se identificam como a Horda. Os três vão parar em uma instituição psiquiátrica para pessoas que acreditam ser heróis e o longa mostra a jornada dos três dentro do local.

Ao contrário dos outros dois filmes, Shyamalan mostra desde o começo que a ação será um componente importante dessa produção. Pouco fica implícito e logo nos primeiros minutos vemos um embate entre dois dos protagonistas. Apesar de ter planos interessantes, o diretor escolheu um estilo de filmagem que faz a luta perder sua magnitude – como colocar a câmera no rosto de um dos atores no meio da batalha. Isso se repete ao longo do filme e nesses momentos o cineasta não consegue causar o mesmo impacto que costuma causar em cenas de tensão psicológica. O diretor faz o seu melhor quando foca nos diálogos, onde pode trabalhar melhor a fotografia junto com a direção de arte.  

As cores sempre foram uma das marcas registradas de Shyamalan e nesse filme não poderia ser diferente. Assim como aconteceu nas outras obras, David Dunn, o herói, é representado pelo verde; Sr. Vidro, o vilão, aparece com o roxo; e a Horda é o amarelo, pois o cineasta queria associar o personagem a uma cor que lembrasse cerimônias religiosas como a Hindu ou a Budista (segundo o próprio, ele é “um padre que quer salvar os puros”). Além de darem pistas sobre a personalidade de cada um desses personagens, essas cores estão totalmente ligadas ao desenvolvimento da história.

A ideia por trás do filme é muito boa: e se tudo o que vimos em Corpo Fechado e Fragmentado foi uma mentira? E se tudo foi uma grande ilusão dos protagonistas? Sempre que eles acreditam em seus poderes, as cores ficam mais fortes, mas conforme são convencidos pela psiquiatra vivida por Sarah Paulson de que não são especiais, as cores perdem força e eles começam a se misturar com o ambiente. Contudo, o roteiro explora muito pouco esse dilema e o público não chega a ter esse conflito pois o longa gasta grande parte de seu tempo reapresentando os personagens da trilogia, especialmente a Horda.

Em Fragmentado descobrimos que o personagem de McAvoy tem 23 personalidades mais A Besta e, nesse filme, o diretor quis mostrar o máximo possível delas. Ao mesmo tempo que é divertido ver o ator se transformar em cena – afinal, ele está ótimo em cada um dos seus papéis, por mais breve que sejam -, muitos desses momentos não levam a história para frente, fazendo com que o filme perca a oportunidade de explorar coisas novas.

Vidro sofre com a expectativa criada por conta do sucesso dos antecessores, mas ainda vale o ingresso. Shyamalan poderia ter trabalhado melhor a ideia central e feito um longa tão incrível quanto Corpo Fechado e Fragmentado, mas preferiu fazer um bom filme seguro, com boas cenas de ação que ficou “apenas” bom.

Nota do Crítico
Bom