Victorian Psycho é (quase) tão divertido quanto seu título sugere
Estrelado por Maika Monroe, filme acompanha psicopata que tenta ser governanta na Inglaterra vitoriana
Créditos da imagem: Diamond Films
Veja bem, a partir do momento em que você coloca Victorian Psycho, ou Psicopata Vitoriana, como o título de seu filme, expectativas são criadas. Felizmente, sendo quase tão divertido quanto o nome sugere, o filme estrelado por Maika Monroe abraça (quase) sem reservas a colisão de ideias anunciada no cartaz, encontrando humor e choque neste mix.
Exibido como parte da mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2026, o filme de Zachary Wigon chegou como um desvio bem-vindo de uma seleção dominada por dramas de autores europeus. Quase tão divertido quanto o nome sugere, Victorian Psycho é protagonizado por Winifred Notty (Monroe), governanta que chega na mansão da família Pounds depois de passar por uma série de casas onde as coisas não deram certo. Há, inclusive, uma trilha de mortes seguindo a jovem. Entre senhores que desapareceram a crianças afogadas, digamos que suas demissões sempre tiveram justa causa (isso, claro, supondo que sobrou alguém para demiti-la).
Victorian Psycho anuncia a loucura de sua personagem principal desde a primeira imagem do longa, filmado por Wigon e pelo diretor de fotografia Nico Aguilar com lentes de ângulo aberto que abrem bastante espaço para a loucura de Winifred. O rosto de Monroe frequentemente domina o centro da tela, mas há espaço na tela para um mundo que parece cada vez mais desequilibrado à sua volta. Já expert em fazer a heroína de alguns filmes de terror, como Corrente do Mal e LONGLEGS, Monroe se deleita com a oportunidade de virar o jogo e assumir o papel da psicopata, encontrando uma abordagem original e divertida para encenar sua loucura.
Longe de se levar a sério, Victorian Psycho também aproveita bem os dotes da atriz para a comédia, junto com um elenco coadjuvante formado por nomes como Thomasin Mackenzie, Ruth Wilson e um hilário Jason Isaacs – além de uma dupla de atores mais jovens em ascensão: Jacobi Jupe (Hamnet) e Evie Templeton (Wandinha) – que se mostra mais do que disposto a abraçar os resultados de combinar uma comédia de assassinato com toda a pompa e circunstância das tramas envolvendo lordes e ladys no campo inglês.
Com o passar do tempo, o roteiro de Virginia Feito, adaptando sua própria obra, começa a revelar alguns de seus segredos, e entre os elementos de Victorian Psycho há alguns previsíveis, mas o problema do texto não se encontra na falta de fator surpresa e sim como ele não leva ao máximo o absurdos que propõe. Em momento algum, Victorian Psycho se mostra tímido de colocar em tela uma cena sangrenta, ou uma piada inacreditável, mas essa disposição não significa que todo o potencial do longa é abraçado.
Algumas de suas soluções são simples demais, e talvez Wigon não queira fazer algo que se joga de vez na sujeira, porque o clímax do filme, apesar de sangrento, é estranhamente contido. Diante de uma construção tão boa, seria interessante ver o cineasta largar a mão de uma vez por todas. É isto, afinal, que faz sua grande atriz principal.
Victorian Psycho
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