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Filmes
Crítica

Com suspense desconfortável, Verity faz cinema sem medo de ser feliz

Filme de Michael Showalter passeia entre o visceral e o dramalhão

Omelete
3 min de leitura
30.09.2026, às 10H00.

Para fazer cinema, é preciso ter coragem, e se você trabalha em Hollywood, é preciso ter coragem e dinheiro. Foi unindo as duas coisas que o diretor Michael Showalter (Uma Ideia de Você) repetiu a parceria com Anne Hathaway na aguardada adaptação de Verity, um dos livros mais famosos de Colleen Hoover (É assim que acaba). O longa-metragem coloca ao lado de Hathaway, os astros Dakota Johnson (Madame Teia) e Josh Hartnett (Armadilha), que juntos protagonizam uma relação cercada de tensão e mal-assombro.

Assim como no livro, Lowen Ashleigh (Johnson), uma escritora sem público e em dificuldades financeiras, aceita uma proposta irrecusável: terminar de escrever uma série literária para a renomada autora Verity Crawford (Hathaway), conhecida por escrever histórias macabras pela perspectiva do vilão. Para isso, ela se muda para a isolada propriedade dos Crawford na intenção de pesquisar as anotações da autora. Chegando lá, ela encontra Verity em estado vegetativo sendo cuidada por um marido fiel e acompanhada por um tímido garotinho chamado Crew (Brady Wagner).

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Entretanto, em meio aos vários rascunhos e anotações da escritora, ela encontra o que parecem ser anotações autobiográficas perturbadoras de Verity, entrando em um beco sem saída entre a ficção e a realidade. Muitos podem dizer que é a partir daí que a história começa a ficar macabra, mas eu discordo. O filme dá sinais de suas raízes perturbadoras e de seu tom despretensioso logo no início, mostrando que transita com leveza entre o desconforto e o carisma.

Quando tudo parecia um desastre na vida de Lowen, ela recebe uma inesperada ligação de seu agente, Corey (Ismael Cruz Córdova), contando sobre a reunião que a levou até a vida dos Crawford. Com medo de se atrasar, ela aguarda ansiosamente um farol se abrir para os pedestres, mas antes que pudesse celebrar o verde do semáforo, um vermelho sangue tomaconta dela. Um ciclista foi atropelado na esquina onde ela estava e todo o sangue do acidente parece ter jorrado de uma vez no rosto da pobre escritora.

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Após o momento splatter, a protagonista é ajudada por um desconhecido (que logo se apresenta como marido de Verity). Ela lava seu rosto ensanguentado numa pia qualquer, mas mesmo após uma rígida limpeza, toda a maquiagem de Dakota Johnson permanece intacta, como se a atriz acabara de retornar de seu trailer dos bastidores. Este é só um exemplo de como o diretor salta de um momento chocante e abrupto direto para uma cena que não se dá tanta importância a ponto de borrar a maquiagem da personagem.

São essas escolhas que mostram que o filme não possui a pretensão de revolucionar seu gênero nem mesmo agradar aos críticos. Aqui, o único objetivo está na louvável missão de entreter. Mas não me entenda mal, caro leitor. Isso não torna o filme diletante tampouco amador. Showalter — ao lado do diretor de fotografia Jim Frohna — abusa de diferentes técnicas na assinatura visual do longa-metragem, com um destaque especial para split diopter usado para trazer a tensão de diferentes planos no mesmo take durante os depoimentos à polícia.

O mesmo vale para o trabalho sonoro comandado por Volker Bertelmannm, que assina a composição do filme. Enquanto as lentes e cores de Showalter e Forhna nos levam ao obscuro interior da mansão, Bertelmannm é o responsável por completar essa imersão, fazendo cada jumpscare mais impactante do que o outro. Nas mudanças de tom, o mesmo se repete.

No fim, o filme acerta nos mais variados setores, mesmo que derrape em um final anticlimático. Com um diretor sem medo de ser feliz, Verity traz um equilíbrio bem dosado entre o horror e o novelesco, resultando em uma experiência que vale a pena se viver — gostando dela ou não.

Assim como na história de Verity, no Omelete você encontra duas perspectivas sobre a mesma história. Te convido a ler também a opinião de Bruna Nobrega sobre o filme!

Nota do Crítico

Verity

Verity

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Mistério, Thriller
Direção: Michael Showalter
Roteiro: Nick Antosca, Colleen Hoover, Colleen Hoover
Elenco: Dakota Johnson, Anne Hathaway, Josh Hartnett, Ismael Cruz Cordova, Brady Wagner, Irina Dvorovenko, K.K. Moggie, Michael Abbott Jr., Alex Cooper
Data de lançamento: 30 de setembro de 2026

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