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Crítica

Vai Que Dá Certo | Crítica

Time Boça entra em campo para zoar o Imbecil Paulistano

Marcelo Hessel
21.03.2013, às 19H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 14H55
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 14H55

Vai Que Dá Certo começa como os filmes produzidos ou dirigidos por Judd Apatow, onde não há amor mais verdadeiro para um homem do que o amor de seus amigos. Rodrigo (Danton Mello) deixa de ir ao trabalho para ficar jogando bola, e termina expulso de casa pela esposa. Assim como em Ligeiramente Grávidos ou O Virgem de 40 Anos, as mulheres são adultas e objetivas para servir de contrapeso ao bromance dos eternos adolescentes.

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No aperto, Rodrigo e seus amigos falidos (vividos por Fábio Porchat, Gregório Duvivier e Felipe Abib) decidem aceitar um golpe proposto pelo personagem de Lúcio Mauro Filho: um sequestro forjado seguido de assalto a um carro-forte. A partir daí saímos das comparações com Hollywood e Vai Que Dá Certo vira uma comédia de erros à brasileira, como se o Brat Pack de Apatow fosse formado não por Seth Rogen e Paul Rudd mas pelos Trapalhões.

O inexplicável fato de o grupo alugar armas de verdade para cometer um sequestro de mentira - base de todas as reviravoltas do roteiro - é o primeiro indício de que não há lógica possível dentro de Vai Que Dá Certo. A única regra minimamente vigente aqui é a da paródia: elenco e realizadores do Rio de Janeiro imaginando uma São Paulo povoada por tipos caricatos, do nerd ao riquinho, todos falando com aquele sotaque carregado de um esquete "paulistano, mêo" de Marcelo Adnet ou do Hermes & Renato. O Time Apatow, aqui, aos poucos, se revela no fundo um Time Boça.

É como se Vai Que Dá Certo, dentro do seu objetivo de falar com os jovens (alguns diálogos sobre cultura nerd soam protocolares, forçados), renegasse outra tradição nacional, a do filme-de-malandro-carioca, para investir na oposta, a do filme-do-imbecil-paulistano. Embora seja impossível reconhecer a cidade na tela - o longa foi rodado em Paulínia, nem o quartel-general do traficante parece periferia de verdade - há no filme situações familiares do dia a dia grosseiro de São Paulo, como no enquadro da PM ou quando Porchat diz para o moleque vendedor de bala chupar as próprias balas já que está com tanta fome.

O resultado é uma comédia desconjuntada que se pauta pela estupidez, sim, mas que termina achando na paródia um olhar interessante sobre alguns dos estereótipos da neurose cosmopolita (especialmente se entendermos que as cosmópoles hoje se fazem em torno dos eternos adolescentes). Quem vê os esquetes do Porta dos Fundos no YouTube sabe que Porchat e Duvivier trabalham bastante em cima desses estereótipos, e nesse sentido Vai Que Dá Certo - longa finalizado em 2011, quando o maior astro do elenco ainda era Bruno Mazzeo - serviu de ensaio para a comédia online de Porchat e Duvivier.

Não por acaso, a dupla responde pelos melhores momentos cômicos do filme. Embora Felipe Abib (em breve, o Jeremias de Faroeste Caboclo) se revele um bom ator de comédia, quem mostra timing impecável é Duvivier. No meio de outros quatro atores apertados num carro, ele sabe esperar o momento certo de uma gag, sem atropelar as falas dos outros e sem parecer calculado demais. Já Porchat, que assina o roteiro com o diretor Maurício Farias, ainda pensa em forma de esquete (a cena do pole dancing na rua não tem nenhuma consequência, só existe como quadro isolado), mas consegue trazer para o cinema muito da incorreção política que os textos de YouTube permitem.

Humor idiota estereotípico não é para qualquer um, mas quem sabe apreciá-lo talvez dê com Vai Que Dá Certo algumas risadas.

Vai que Dá Certo | Cinemas e horários

Vai que Dá Certo
Vai que Dá Certo
Vai que Dá Certo
Vai que Dá Certo

Ano: 2012

País: Brasil

Classificação: 12 anos

Duração: 101 min

Direção: Maurício Farias

Elenco: Bruno Mazzeo, Danton Mello, Lúcio Mauro Filho, Natália Lage, Gregório Duvivier, Lúcio Mauro, Fábio Porchat, Fábio Porchat

Nota do Crítico
Bom

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