Filmes

Crítica

Universidade Monstros | Crítica

Um saudoso retorno ao passado e aos dias de Mike Wazowski e Jimmy Sullivan como universitários

Aline Diniz
20.06.2013
20h43
Atualizada em
29.06.2018
02h42
Atualizada em 29.06.2018 às 02h42

Não é de hoje que estúdios exploram uma fonte de sucesso até que ela se esgote, transformando o que uma vez foi um aclamado sucesso de público e crítica em algo descartável. Universidade Monstros, o prelúdio de Monstros S.A. (2001) que chega mais de dez anos depois de seu predecessor, foge completamente desses padrões e prova que é possível cavar mais fundo e ainda encontrar ouro na mina.

Universidade Monstros

None

Universidade Monstros

None

Universidade Monstros

None

Universidade Monstros

None

A trama mostra as origens da dupla que, em sua fase adulta, é a campeã em sustos da companhia de energia da cidade de Monstrópolis. O pequeno Mike Wazowski (voz de Billy Crystal na versão em inglês) é um sonhador e esforçado monstrinho que quer ser um grande assustador. Para isso, ele deve cursar uma das melhores faculdades no quesito sustos: a Universidade Monstros.

Assim como todos os outros filmes da Pixar, Universidade Monstros não é feito só para divertir, mas aprofunda-se em questões sociais e morais. Quando o estudioso Mike topa com popular Jimmy Sullivan (voz de John Goodman na versão em inglês), filho de um grande assustador que já chega ao campus com uma certa reputação, fica claro que, para a amizade começar a tomar forma, algo precisa mudar.

Por ser um curso extremamente concorrido, é muito difícil ser bem sucedido no programa de sustos. A severa diretora Hardscrabble (voz de Helen Mirren na versão em inglês) exige de seus alunos uma mistura de talento nato e conhecimento técnico, algo que nem Mike nem Sullivan têm por completo. Resta recorrer aos Jogos de Susto, competição anual que premia a fraternidade mais assustadora da Universidade Monstros.

Dentre inúmeras fraternidades, nenhuma das quais aceitará os renegados, eles encontram a Oosma Kappa (OK). Formada somente por deslocados e esquisitos que também foram reprovados no Programa de Sustos, a OK precisa de apenas mais dois integrantes para participar dos jogos. Está formado, então, o grupo que tem de tudo para perder a competição.

O selo de qualidade Pixar

Estabelecida a narrativa de superação, é possível prever que o filme mostrará apenas vitórias para a adorável OK e seus membros. No entanto, enquanto Mike e Sullivan não se entendem e colaboram um com o outro, explorando suas habilidades e expondo suas fraquezas para que essas sejam repostas por algum colega, nada funciona. Está aí a primeira lição de Universidade Monstros, que institui a importância do trabalho em equipe.

Em um momento no qual o avanço tecnológico parece ser mais importante que roteiro e construção de personagens, é acalentador sabe que ainda há uma certa preocupação com o enrendo. A Pixar mantém seu selo de qualidade, dá foco e estabelece uma gratificante meta final, que acerta no desenvolvimento da trama e da narrativa. Abordando temas como bullying, superação de obstáculos e o valor dos estudos sem ser cafona, o estúdio faz de Universidade Monstros um filme convidativo a adultos e crianças de todas as idades, que conseguem se indentificar com os personagens e formar paralelos com suas próprias vidas.

O maior acerto de Universidade Monstros, no entanto, é provar que existem inúmeros finais felizes ao longo de uma vida. Um prelúdio a Monstros S.A. não era esperado. Após os últimos momentos do filme de 2001, que deixa pendente um reencontro entre Sulley e Boo, seria óbvio mostrar uma possível amizade entre o monstro azul e a criança. Mas a Pixar foi sábia ao manter íntimo aquele momento único, nos mostrando que voltar ao passado e apreciar mais a história da amizade entre a bola verde e o grandalhão azul expande de forma inteligente o universo que conhecemos dez anos atrás.

Nota do Crítico
Excelente!