Uma Segunda Chance Para Amar

Créditos da imagem: Uma Segunda Chance Para Amar/Universal Pictures/Divulgação

Filmes

Crítica

Uma Segunda Chance Para Amar

Comédia romântica natalina é cheia de encanto, mas não explora todo seu potencial

Julia Sabbaga
27.11.2019
15h44

Existem elementos admiráveis de sobra em Uma Segunda Chance Para Amar. A comédia romântica inglesa é escrita pela vencedora do Oscar Emma Thompson, dirigida pelo responsável por Missão Madrinha de Casamento Paul Feig, estrelada pela potencial nova queridinha do gênero Emilia Clarke, e embalada por canções eternas de George Michael. A receita impecável, no entanto, é prejudicada justamente pelas altas expectativas. Apesar de ser cheio de graça e repleto de boas intenções, o sentimento ao sair do cinema é que todas estas pessoas juntas seriam capazes de muito mais. 

A história foca em Kate (Clarke), uma jovem mulher que, após ter sofrido um problema de saúde que é revelado aos poucos, tem vivido uma crise de vida baseada em más decisões e má vontade. Tudo muda quando ela encontra o misterioso Tom (Henry Golding), sujeito que surge em momentos inusitados e consegue fazê-la enxergar o lado bom da vida. A história é simples, mas no contexto mágico do Natal e carregada muito bem pela dupla de atores ganha um brilho especial. Tudo isso ainda é completo por ótimos coadjuvantes, com a própria Thompson vivendo a bizarra mãe de Kate, e Michelle Yeoh interpretando a chefe da protagonista, uma das melhores personagens do longa. Como se não bastasse, Uma Segunda Chance Para Amar ainda traz aparições pequenas - e ótimas - de Patti LuPone e Peter Serafinowicz.

Existe algo em Uma Segunda Chance Para Amar que, infelizmente, faz com que todos esses elementos não estejam em seu potencial completo. A edição das cenas de humor, diversas vezes, não acerta, e o roteiro, apesar de passar por diversos elementos que o tornariam completinho - com problemáticas que tocam em homofobia, Brexit, xenofobia - não consegue criar uma profundidade que justifique cada uma das menções. 

Por outro lado, Uma Segunda Chance Para Amar é recheado de bons personagens que conseguem cativar com uma boa dose de carisma, ainda mais liderados pelo brilho de Clarke. Finalmente livre de Game Of Thrones, a dona do par de sobrancelhas mais expressivo de Hollywood mostra um futuro promissor no gênero, capaz de levar humor ao jeito rabugento e leveza às situações mais corriqueiras. A combinação da atriz com as lentes espertas de Feig também se mostra perfeita, e o filme consegue ser ácido quando precisa, apesar de todo clima açucarado do Natal. A previsibilidade da reviravolta (que quase nem é uma reviravolta de verdade, dado material promocional do filme) e a breguice da conclusão certamente poderiam ser motivos de crítica, mas o filme tem charme o suficiente para ganhar quem quiser ser levado. 

Ainda, o filme acerta no nível da homenagem dada a George Michael, fazendo isso de modo sutil. O uso de suas canções cria uma identidade única para o filme e desce como um refresco ao se distanciar do pop atual. Quem espera uma comédia romântica obviamente inspirada em Wham! certamente não encontrará isso, mas, mesmo assim, é simpático ver Kate acordando ao som de “Wake Me Up Before You Go-Go”. 

Tudo sobre Uma Segunda Chance Para Amar é promissor. Por isso, pode ser frustrante sair do cinema com a sensação de que o produto final não é tão bom quanto cada uma de suas partes. Mesmo assim, sua doçura relembra o auge das rom-coms e deixa um sentimento caloroso no coração que, no fim das contas, é tudo que um filme do gênero precisa fazer. 

Nota do Crítico
Bom