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Crítica

Uma Razão Para Viver | Crítica

Garfield e Foy protagonizam filme de superação que escolhe caminho seguro

Camila Sousa
17.11.2017
07h56
Atualizada em
17.11.2017
08h27
Atualizada em 17.11.2017 às 08h27

Robin Cavendish viveu sua juventude na década de 60. De um jovem advogado animado, apaixonado pela vida e prestes a ser pai, ele se tornou um homem com paralisia provocada pela poliomielite, uma doença sem cura na época. Essa história real é a base para Uma Razão Para Viver (Breathe, em inglês), filme que marca a estreia de Andy Serkis (O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos) como diretor. Com Andrew Garfield e Claire Foy no elenco, o longa foi exibido em festivais e parecia ter inspirações para o Oscar. Faltam, porém, algumas coisas para isso acontecer.

Começamos a história com Robin cortejando Diana. O filme não demora muito nessa parte e rapidamente o casal feliz já espera o primeiro filho. O protagonista gosta muito de viajar e é nesse cenário que apresenta os primeiros sintomas da doença. O diagnóstico dos médicos é simples: ele viverá durante algum tempo em uma cama de hospital e morrerá. Não existiam tratamentos, remédios ou meios de fazê-lo ter uma vida melhor.

Logo que recebe a notícia, o casal não chora, clama por Deus ou se pergunta os motivos daquilo. Diana assume uma postura mais conformada, enquanto Robin sente o desejo de morrer de uma vez. Com tais reações complexas em jogo, os dois atores têm dificuldades de expressar as emoções mais profundas de seus personagens. Completamente ativo em sua vida, Robin não quer ser um peso para sua jovem esposa. Já Diana tem o marido doente e um filho recém-nascido para criar. Ela não pode se dar ao luxo de chorar e precisa ajudar o homem que ama.Tudo está ali nas entrelinhas, mas não aparece de forma satisfatória nas atuações.

Garfield e Foy são talentosos e fazem em Uma Razão Para Viver papéis muitos parecidos com trabalhos recentes: ele mostra semelhanças com o personagem de Até o Último Homem, enquanto ela emula os traços contidos da jovem Elizabeth da série The CrownSe não falta talento na frente das telas, os bastidores também têm nomes importantes. William Nicholson (Gladiador, Os Miseráveis) assina o roteiro, enquanto a produção é de Jonathan Cavendish, filho do casal na vida real que viu de perto a superação do pai.

Assim, essa falta de aprofundamento no começo recai em Andy Serkis, que faz sua estreia com um projeto emocionalmente ambicioso. Especialista na atuação com captura de performance, Serkis fez alguns trabalhos de direção em O Hobbit, quando comandou a segunda unidade. Porém, aqui falta um modo melhor de conduzir os protagonistas pelas cenas, ajudando-os a mostrar o que existe no interior de seus personagens. Há uma sensação clara de que o filme não cria boas oportunidades para seu elenco brilhar.

O longa tem uma melhora significativa no segundo ato, quando Cavendish se torna um símbolo para o tratamento de pessoas com deficiência. Sem querer passar o resto de sua vida em um hospital, ele pouco a pouco encontrou formas de viver melhor e, com a ajuda de um amigo extremamente inteligente, usou o primeiro protótipo de uma cadeira de rodas.

Há uma mensagem importante sobre a inclusão de pessoas com deficiência e como o tratamento precisa ser mais humanizado, já que isso muitas vezes auxilia no quadro clínico dos pacientes. Garfield e Foy crescem nesse momento, os diálogos fluem melhor e finalmente conseguimos entender seus sentimentos.

Ainda assim, quando se encaminha para o final, a produção não consegue se sobressair como um filme com aspirações ao Oscar precisa. Serkis busca um caminho seguro em suas cenas e o longa se torna bem parecido com outras produções que falam sobre superação e deficiência. No saldo final, Uma Razão Para Viver tem seus bons momentos, mas não é um filme que causará discussão ou será lembrado com o passar do tempo, ao contrário dos feitos reais de Robin Cavendish.

Leia mais sobre Uma Razão Para Viver

 

Uma Razão Para Viver
Breathe
Uma Razão Para Viver
Breathe

Ano: 2017

País: Reino Unido

Classificação: 12 anos

Duração: 117 min

Direção: Andy Serkis

Roteiro: William Nicholson

Elenco: Andrew Garfield, Claire Foy, Diana Rigg, Dean-Charles Chapman

Nota do Crítico
Bom

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