Filmes

Crítica

Uma Noite de 12 Anos

Filme retrata a solidão e a esperança de quem se opôs ao regime militar no Uruguai

Camila Sousa
27.09.2018
18h13

O cinema é uma arte que retrata seu tempo e lembra a humanidade de seus melhores e piores momentos. É isso o que acontece em Uma Noite de 12 Anos, filme de Álvaro Brechner sobre o tempo em que José Mujica (Antonio de la Torre), Mauricio Rosencof (Chino Darín), Eleuterio Fernández Huidobro (Afonso Tort) e muitos outros ficaram presos durante a ditadura militar no Uruguai.

Foto de Uma Noite de 12 Anos
Uma Noite de 12 Anos/Vitrine Filmes/Divulgação

Logo no começo a produção deixa claro como vai contar sua história: uma música animada toca em meio ao caos enquanto os homens são tirados da prisão e sequestrados pelo regime (os próprios militares os descrevem como reféns). A partir daí, os três são levados para vários locais onde são torturados, interrogados e privados de direitos básicos.

Para retratar essa angústia, Brechner escolhe closes e planos-detalhe no rosto dos atores, seguidos de planos abertos para mostrar o quanto os eles são pequenos em meio a um regime tão implacável. Em outros momentos, a montagem lembra um filme de terror ao mostrar flashes rápidos de cenas de tortura. Já a fotografia destaca a tristeza e a depressão desses 12 anos com o mínimo de cores possível: tudo está em escalas de cinza e marrom e esse padrão só muda em poucos flashbacks que servem como um fio de esperança para os três. 

Esse paralelo entre desolação e esperança volta em vários momentos do filme, como quando eles ouvem um jogo de futebol em um rádio distante e esse fragmento de normalidade motiva os três a vencer mais um dia. Em outras cenas, a fragilidade física e emocional chega a um nível tão alto que os homens parecem crianças que buscam pelo colo da mãe. É principalmente nessas cenas que os protagonistas se destacam, principalmente Antonio de la Torre, que coloca seu desespero para fora em gritos que não saem desesperados e altos, mas sim baixos e cheios de agonia.

Como não poderia ser diferente, um dos grandes problemas do filme é seu ritmo. Mesmo com passagens de tempo, a história fica mais lenta e arrastada em vários trechos - um paralelo com a própria realidade dos prisioneiros - mas que incomoda mesmo assim. E apesar sequências viscerais, o filme inova pouco e segue um padrão narrativo visto em várias outras produções que retratam momentos de guerras e conflitos nos países.

Quando Uma Noite de 12 Anos acaba, fica claro o quanto é difícil quebrar o espírito do homem. Mesmo fracos fisicamente e psicologicamente, Pepe, Mauricio, Eleuterio e tantos outros fizeram a única coisa que podiam: eles sobreviveram e suas histórias não foram esquecidas.

Nota do Crítico
Ótimo