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Crítica

Uma Ladra sem Limites | Crítica

Road movie de conciliação explora mal o potencial de Jason Bateman e Melissa McCarthy

Marcelo Hessel
09.05.2013
18h00
Atualizada em
29.06.2018
02h47
Atualizada em 29.06.2018 às 02h47

Tradicionalmente o gênero dos filmes de estrada envolve jornadas de autodescoberta, mas em Hollywood esses filmes também servem como meio de reconciliação. Um país feito de pedaços, de proporções continentais e onde o federalismo efetivamente funciona, os EUA conseguem acertar suas diferenças na estrada.

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Uma Ladra sem Limites (Identity Thief) tenta replicar o sucesso de Um Parto de Viagem, mas ambos não existiriam se não fosse o grande road movie de conciliação americano, Antes Só do que Mal Acompanhado (1987). A dinâmica é a mesma: de um lado, um engravatado de cidade grande (antes era o executivo de marketing vivido por Steve Martin, agora é um contador interpretado por Jason Bateman), do outro, um gordo tipicamente americano, falastrão e intrometido (Melissa McCarthy aqui, e Zach Galifianakis antes dela, tentam hoje suprir a falta que o falecido John Candy faz).

Na trama, depois que Melissa rouba a identidade de Bateman - a piada recorrente do filme é que o cara se chama Sandy, e ele diz que é um nome "unissex" e não de mulher - ele viaja até a Flórida para achá-la. Os dois entram em choque, muitas confusões etc., e enfim Bateman convence a mulher a pegar a estrada até Denver, no Colorado, onde ele pretende entregá-la à polícia. É atravessando o país, e entrando em contato com tipos vários pelo caminho, que esses dois extremos - o pai bom e correto de duas filhas lindas, ícone do American Way, e a louca gorda solitária, a imagem de si que os americanos recusam - aceitam-se enfim.

Uma das qualidades do filme é entender o caráter multiétnico desses EUA, com coisas que ficam implícitas (a firma dos sonhos do contador tem como presidente um descendente de japoneses) e outras que viram piada (a personagem latina sai no prejuízo porque pode ser vista como negra, é minoria em dobro, diz o filme). Não estamos diante de uma obra dos irmãos Farrelly - que sabem incorporar freaks e minorias de um jeito realmente subversivo e hilariante - mas é interessante notar que Uma Ladra sem Limites pelo menos tem olho para essas questões.

Melissa McCarthy é o grande trunfo, nesse caso, porque ela divide com John Candy uma qualidade rara em comediantes de estereótipos: olhando de longe, seus tipos são obtusos, causam revolta (virou debate na mídia americana a forma como a atriz se sujeita a papéis como este), mas quando assistimos mais de perto há um drama ali que sabe se fazer notar. O filme pesa a mão na dramaticidade - o engravatado está esperando seu terceiro filho, a gorda é frequente alvo de escárnio na rua - mas Melissa mantém sua dignidade, no limite do possível.

Esses pontos são muito específicos, porém. No geral, a comédia do diretor Seth Gordon parece uma colagem de filmes melhores - não apenas Antes Só do que Mal Acompanhado. Por exemplo, Gordon havia trabalhado melhor a eterna imagem de coxinha de Bateman em Quero Matar meu Chefe (que fazia uma inversão inteligente, era um filme sobre a vitória dos sem-graça sobre os vida-loka), e o roteirista Craig Mazin não consegue replicar aqui a mesma escalada caótica de Se Beber, Não Case! Parte II. Na verdade, embora tente emular a "cultura do awesome" das comédias de hoje em dia (tudo é adrenalina, a trilha é só música de festinha), até que Uma Ladra sem Limites termina sendo bem chato, economizando nas gags e confundindo reconciliação com lição de moral e pregação.

Uma Ladra sem Limites | Cinemas e horários

Uma Ladra sem Limites
Identity Thief
Uma Ladra sem Limites
Identity Thief

Ano: 2013

País: EUA

Classificação: 12 anos

Duração: 112 min

Direção: Seth Gordon

Elenco: Jason Bateman, Melissa McCarthy, Jon Favreau, Amanda Peet, T.I., Génesis Rodríguez, Morris Chestnut, John Cho, Robert Patrick, Eric Stonestreet, Jonathan Banks, Maggie Elizabeth Jones, Ryan Gaul, Mary-Charles Jones, Brett Baker

Nota do Crítico
Regular

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