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Crítica

Um Lugar Silencioso - Crítica

Se gritar o bicho come

Marcelo Forlani
05.04.2018
19h20
Atualizada em
05.04.2018
21h03
Atualizada em 05.04.2018 às 21h03

John Krasinski ganhou fama ao interpretar Jim na versão americana da série The Office. Voz da razão e par romântico da recepcionista Pam na sitcom, seus trabalhos depois que saiu da Dundler-Mifflin se resumem basicamente a comédias-românticas, com algumas raras exceções que só confirmam a regra. Até que em 2016 ele estrelou 13 Horas, drama de ação dirigido por Michael Bay.

Foi diretor de Transformers e seus sócios na Platinum Dunes que entregaram a Krasinski o roteiro escrito por Bryan Woods e Scott Beck sobre uma família que tenta sobreviver em um ambiente onde qualquer barulho pode levar à morte. Apesar de ser um terror em sua essência, gênero do qual ele disse não ser o maior consumidor, Krasinski viu ali um drama familiar que lhe interessou. Ele fez, então, algumas mudanças no script para poder comandar Um Lugar Silencioso, o seu terceiro longa-metragem como diretor. 

Quando encontramos a família Abbot, eles já sabem que devem fazer o máximo de silêncio possível. Andam da sua casa na fazenda até o mercado pisando sobre uma trilha de areia, caminham nas pontas dos pés e utilizam linguagem de sinais para se comunicar. O menor dos ruídos pode atrair a ameaça que já acabou com o resto das pessoas que morava por ali.

Neste suspense eterno, Krasinski monta seu cenário de terror sem precisar ser gore, mas sem esquecer também dos sustos. Durante o filme, muitos são os momentos em que o público acaba se segurando na cadeira até que alguém na plateia solta um grito - que seria fatal se estivessem dentro da tela. Mas o mais comum mesmo é compartilhar a angústia da família de sobreviventes, tentando respirar mais devagar e segurar qualquer barulho. Uma cena envolvendo um prego, por exemplo, é de morder os dedos da própria mão.

Num mundo tão tecnológico e individualista, Um Lugar Silencioso vem para mostrar o valor do silêncio e, principalmente, da família. Não por acaso, Krasinski além de dirigir protagoniza o longa ao lado de sua mulher, Emily Blunt. Os dois estão muito bem e as crianças também têm ótimas atuações, indo além do papel de coadjuvantes. São os filhos que completam o cenário de desespero - afinal, não há nada mais pavoroso do que imaginar que seu filho está em risco. E isso é o que eles vivem 24h por dia, num jogo em que parece ser impossível ganhar.

Em econômicos 90 minutos, a história é contada sem excessos de explicação, o contexto é colocado de forma clara e a tensão criada tem a densidade. Numa espécie de anti-Michael Bay, apostando mais nos silêncios do que nas explosões (sem deixá-las totalmente esquecidas), Krasinski trabalha muito bem a trilha sonora e os efeitos sonoros. O resultado é, sem dúvida, mais aterrorizante do que trabalhar com um chefe sem noção. Krasinski, aliás, comprova talento na direção, algo que Michael Scott (Steve Carell) nunca teve. 

Nota do Crítico
Ótimo