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Um Limite Entre Nós | Crítica

Denzel Washington estrela, dirige e produz adaptação de peça dos anos 1980

Marcelo Forlani
03.03.2017, às 18H21
ATUALIZADA EM 03.03.2017, ÀS 19H06
ATUALIZADA EM 03.03.2017, ÀS 19H06

Em meados dos anos 1980 um jovem Denzel Washington foi ao teatro ver James Earl Jones (Star Wars) estrelar a peça Fences, de August Wilson, que acabou ganhando o prêmio Pulitzer de teatro em 1987. Antes de morrer, em 2005, Wilson criou um roteiro que adaptava para o cinema sua peça. Este script rodou Hollywood por um tempo sem sucesso. Dizem que havia um pedido importante feito pelo autor: o diretor atrás das câmeras deveria ser negro. 

Em algum momento, este roteiro chegou às mãos de Denzel Washington. Porém, lembrando de sua experiência no teatro, ele preferiu se manter fiel ao texto original e encenar a peça, ao invés de fazer um filme. Se naquela época Denzel havia se identificado com o filho do protagonista interpretado por James Earl Jones, agora era justamente o papel do pai que lhe cabia. A peça rendeu a Denzel Washington e Viola Davis, que interpreta sua esposa, prêmios de atuação no Tony, o Oscar da Broadway em 2010, além do troféu de Melhor Reencenação. 

Corta para 2013, quando Denzel finalmente revelou que ia encarar o desafio de contar no cinema a história de Troy Maxson, lixeiro da cidade de Pittsburgh nos anos 1950, pai de dois filhos com quem não se dá bem: Lyons Maxson (Russell Hornsby), músico de jazz, e Cory (Jovan Adepo), estudante que sonha em jogar futebol americano. Troy vive achando que os filhos não se esforçam o suficiente e ainda se recente dos dias em que era astro da liga de beisebol para negros, mas sem jamais ter conseguido espaço nos times profissionais. 

Completam o elenco seu colega de trabalho, Bono (Stephen Henderson) e Gabriel (Mykelti Williamson), irmão de Troy, veterano da Segunda Guerra com sequelas graves na cabeça. 

Ainda que relegada ao papel secundário no início, Rose (Viola Davis) vai ganhando em importância na trama, até virar co-protagonista da história no último terço de filme. Seu Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante era dado como certo e foi merecido. Assim como também seria justo o prêmio de Melhor Ator para Denzel Washington, que acabou nas mãos de Casey Affleck (Manchester À Beira-Mar). 

O texto de Wilson continua atual e mostra de forma bastante pessoal e verdadeira o jeito severo como Troy trata os filhos. Da mesma forma que ele se baseia na frustração, acaba criando uma forma dura demais de tentar protegê-los da realidade. A cerca do título original, que protegeria o quintal da família Maxson de estranhos, pode ser também aquilo que separa Troy de uma vida mais feliz com as pessoas que ele ama. 

A grande crítica que o filme vem recebendo é a forma teatral como foi filmado, com longos diálogos e poucos cenários. Esta forma econômica, porém, em nada atrapalha a trama e é fiel ao que foi deixado como testamento por Wilson. É, sim, diferente do que se vê nos cinemas, mas isso não é nada ruim.  

Nota do Crítico
Ótimo

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