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Crítica

Um Homem Entre Gigantes | Crítica

Um drama irregular para um tema forte

Thiago Romariz
04.03.2016, às 10H48

Um Homem Entre Gigantes é sobre as concussões, os problemas causados pelas colisões em cabeças dos jogadores de futebol americano. O estudo realizado por Bennet Omalu (Will Smith) mudou as regras e a história do esporte. Além disso, envolveu grandes nomes políticos e diversas empresas interessadas no campeonato, um dos mais lucrativos do mundo. O certame para um drama de peso e com conspirações de impacto estava armado - o problema é a dramatização desta importante história, que não deixa o filme ser o que pretendia.

Ainda que conte com um elenco de qualidade, o filme de Peter Lendesman não consegue conduzir o espectador na trajetória crescente que o roteiro sugere. Da descoberta das doenças causadas até a revelação final, passando pelas mortes e negociações com a NFL, o longa fica sempre no meio do caminho quando tenta criar algum envolvimento. O romance do casal principal não tem apelo, a amizade entre protagonista e Julian Bailes (Alec Baldwin) e até a inimizade entre Omalu e os chefões do futebol americano não convencem. Cada um desses arcos é apresentado, mas se desenvolvem de maneira arrastada e nenhum deles alcança um clímax interessante.

É inegável que Um Homem Entre Gigantes é feito para Will Smith brilhar. No papel de Omalu, o ator entrega uma performance boa e contida, sem os rompantes que o credenciariam para prêmios afoitos por choros copiosos ou estereótipos marcantes. O sotaque, tão comentado na internet, não chega a incomodar e até ajuda na composição do personagem, que fica distante de boa parte dos trabalhos recentes do ator. Não é a atuação que vale o filme ou supera a irregularidade do roteiro, mas também não compromete qualquer momento da trama.

O melhor da produção é a montagem, resultado de uma mistura de cenas reais, reportagens e entrevistas, e cenas fictícias. Em certo momento, na hora de mostrar a morte de um dos jogadores que sofria da ETC (doença causada pelas concussões) uma rápida transição entre as imagens de arquivo de um carro de polícia e as cenas do próprio filme tornam tudo mais verossímil. É a hora em que Entre Gigantes sugere de verdade o problema a ser discutido, mas que muitas vezes se perde nos dilemas pessoais de Omalu.

Um Homem Entre Gigantes soa como um passe incompleto. Apesar de transmitir a mensagem sobre os problemas de saúde que o futebol americano pode causar, falta brilho na condução de Lendesman, que opta por várias subtramas ao invés de investir em um ponto de real importância - ponto este que não é o romance de Omalu, por exemplo, um dos vários plots secundários do filme. E por fim, a boa performance de Will Smith não é o suficiente para superar o roteiro irregular e a direção sem pulso evidentes no longa.

Um Homem Entre Gigantes
Concussion
Um Homem Entre Gigantes
Concussion

Ano: 2015

País: EUA

Classificação: 12 anos

Duração: 123 min

Direção: Peter Landesman

Roteiro: Peter Landesman

Elenco: Will Smith, Gugu Mbatha-Raw, Stephen Moyer, Alec Baldwin, Luke Wilson, Bitsie Tulloch, Eddie Marsan, Adewale Akinnuoye-Agbaje, David Morse, Matthew Willig, Hill Harper, Albert Brooks, Richard T. Jones, Mike O'Malley, Arliss Howard

Nota do Crítico
Regular

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