Um Cabra Bom de Bola é deslumbrante, mas previsível demais para o próprio bem
Nova animação da Sony Pictures não surpreende, mas reafirma boa fase do estúdio
Desde que revolucionou a animação com Homem-Aranha no Aranhaverso, a Sony Pictures parece não errar no gênero. A sequência do longa da Marvel e o recente Guerreiras do K-pop são exemplos de como o estúdio consegue navegar com maestria nos nichos de filmes animados. Enquanto a trilogia do Homem-Aranha (a ser encerrada em 2027) explora novos horizontes técnicos e de adaptação, o fenômeno da Netflix em 2025 se tornou um exemplo de contemporaneidade e excelência musical que, antigamente, só a Disney era capaz de obter.
O novo Um Cabra Bom de Bola confirma a boa fase da empresa, ainda que não alcance os mesmos picos dos antecessores. O estilo frenético, acelerado e hipnotizante da animação vista em Aranhaverso se repete aqui com algo menos psicodélico, mas tão veloz quanto. Não há nenhuma lembrança da magia musical de Guerreiras do K-pop, mas cada um dos personagens carrega personalidade própria e um visual que entrega uma identidade difícil de deixar passar.
A história, produzida pelo astro da NBA Stephen Curry, mostra a trajetória de Will, um pequeno bode que sonha em fazer parte dos Thorns, seu time favorito de basquete - ou roarball, como o filme chama, já que ele vai muito além do esporte tradicional. Após viralizar com uma partida na rua de casa, ele tem a chance de se tornar um membro do time e se unir aos maiores jogadores da liga.
A ideia de transformar o basquete em uma mistura de Rocket League com Mario Kart - já que cada estádio tem uma característica própria e, no fim do dia, o que importa é fazer a cesta - dá liberdade para tornar as cenas de ação algo impressionante. A agilidade da câmera, o exagero de cores e traços, a distorção dos personagens e a forma como tudo ao redor da quadra se transforma (às vezes eles jogam num vulcão, outras vezes na floresta, outras no gelo) elevam Um Cabra Bom de Bola a um patamar técnico complicado de se ver hoje em dia.
Ainda que a parte técnica torne a aventura de Will algo envolvente, a história não faz mais do que o básico. Os personagens têm traços incríveis, mas diálogos e humor simplórios. Enquanto sobra estilo e experimentação na parte visual, o roteiro formulaico e as anedotas com a NBA, o PlayStation ou os “sneakerheads” (fãs e consumidores ávidos por tênis) não são capazes de elevar o filme ao patamar que a Sony Pictures já foi capaz de alcançar com outras histórias semelhantes.
Um Cabra Bom de Bola joga seguro demais em todas as áreas da história, mas isso não quer dizer que não entregue a clássica mensagem do herói improvável com êxito. O fato é que, se não fosse tão belo e carregasse um estilo tão forte, não seria uma animação lembrada imediatamente, já que outras produções com a mesma temática, como Zootopia 2 ou mesmo Guerreiras do K-pop, combinaram visual e roteiro com mais equilíbrio.