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Créditos da imagem: Tudo Acaba em Festa/Paris Filmes/Divulgação

Filmes

Crítica

Tudo Acaba em Festa

Longa fala sobre geração que amadurece tarde, mas não evolui no humor

Camila Sousa
15.11.2018
20h48

Vlad (Marcos Veras) está perto dos 30 anos, tem um emprego estável e uma carreira promissora, mas ainda mora na casa dos pais, é meio preguiçoso e tem receio de evoluir para algo mais sério - como um casamento, por exemplo. Esse é o protagonista de Tudo Acaba em Festa, longa que fala sobre uma geração que está amadurecendo cada vez mais tarde. Ironicamente, o longa também fica amarrado à velhos conceitos.

O filme aposta apenas em estereótipos para fazer humor. Quando Vlad precisa organizar a festa de final de ano da empresa em que trabalha, o que surge é uma enxurrada de conceitos rasos sobre os diferentes departamentos: os nerds da informática, os sistemáticos do call center, o cientista estranho que cria os produtos da empresa, etc. Criar piadas óbvias em cima de tais conceitos mostra uma trama ultrapassada. Enquanto a comédia moderna se reinventa constantemente para mostrar que nem tudo é o que parece, a produção segue o caminho contrário: as pessoas são exatamente o que parecem, encaixadas em rótulos e sem a capacidade de ir além.

Conhecido por filmes como Minha Mãe é uma Peça e Gosto se Discute, André Pellenz até tenta ousar em alguns momentos em sua direção, mas não o suficiente para criar um filme com identidade própria. Há, por exemplo, uma quebra da quarta parede quando Vlad conversa com os espectadores e brinca com sua situação no filme. Uma aposta interessante que é simplesmente deixada de lado no decorrer da história. Parece que Pellenz tentou colocar em prática um conceito atrativo, mas não teve a força para seguir em frente com ele - ou mudou de ideia no meio do caminho.

Tudo Acaba em Festa reflete desde o título a jornada rasa de seu protagonista. O longa tinha o potencial para conversar com uma geração que, assim como Vlad, enfrenta novos conflitos. Como isso exigiria muito esforço, a opção é seguir pelo caminho mais imaturo possível: piadas banais e resoluções fáceis.

Nota do Crítico
Regular