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Crítica

Trovão Tropical | Crítica

Ben Stiller guardou as melhores cenas do filme... para o filme

Marcelo Forlani
28.08.2008
17h00
Atualizada em
21.09.2014
13h39
Atualizada em 21.09.2014 às 13h39

Infelizmente, quase ninguém no Brasil viu Extras, ótima série da televisão inglesa criada por Rick Gervais, o mesmo de The Office original. Primeiro porque passou na HBO Brasil, que poucas pessoas têm, e depois porque o DVD nunca saiu por aqui. Toda essa volta foi para lembrar que no primeiro episódio da série que retrata os bastidores da indústria cinematográfica, sob o ponto de vista dos figurantes ("extra" em inglês), o diretor do "filme" é Ben Stiller, que se deixa ser filmado como um cara asqueroso, cheio de si, que não pensa duas vezes antes de jogar na cara dos outros atores que já passou a mão na bunda da Cameron Diaz e fez milhões de dólares em bilheterias.

O episódio é quase um aquecimento para o que se vê em Trovão Tropical (Tropic Thunder, 2008), dirigido (esse de verdade) por Ben Stiller e que é uma grande sátira a Hollywood e seus atores cheios de regalias e estrelismos mil. Até mesmo as piadas sobre retardamento mental, adoção de crianças e pandas, que podem ser encaradas como politicamente incorretas, são na verdade críticas aos atores que encaram projetos desse tipo para se autopromover.

Trovão Tropical

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Diferente da atual mania de fazer paródia reiniciada pelos irmãos Wayans em Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2000), Stiller e os co-roteiristas Justin Theroux e Etan Cohen optam pelo humor mais non-sense, com situações que se tornam engraçadas pela forma como os personagens as encaram, levando tudo aquilo a sério. Essa é a grande piada de 107 minutos que se prolonga sem se repetir.

A história começa logo depois que uma série de trailers apresenta os atores principais envolvidos na filmagem de uma mistura de Apocalypse Now (1979) com O Resgate do Soldaddo Ryan (1998). Estão lá o rapper Alpa Chino (Brandon T. Jackson), o astro de ação Tugg Speedman (Ben Stiller), o comediante e cocainômano Jeff Portnoy (Jack Black) e o pavio curto Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.). Quem os comanda é o diretor estreante Damien Cockburn (Steve Coogan), que após apenas uma semana de filmagens está 15 dias atrasado no seu cronograma e 100 milhões de dólares além do seu orçamento original. O produtor está na sua cola e o elenco de estrelas parece não se entender nem cena nem com as câmeras desligadas. Desesperado, o cineasta tenta uma última cartada: se embrenhar no meio da densa mata e utilizar câmeras escondidas para montar o mais realista dos filmes de guerra que o cinema já viu.

Como estamos falando de uma comédia de ação, é lógico que nem tudo vai correr conforme o planejado e logo os astros se envolvem em disputas pessoais e, para piorar, caem na mira do grupo de traficantes que domina a região. Aliás, vale a pena ser dito que tanto quanto o lado cômico, a ação também é muito bem trabalhada e nada deve às grandes fitas do gênero. Tal preocupação se mostra com a contratação do diretor de fotografia John Toll (Além da Linha Vermelha, Coração Valente, O Último Samurai) e o elevado o orçamento de estimados 92 milhões de dólares - acima, por exemplo, de O Procurado (Wanted, 2008), que custou 75 milhões - já contando o cachê dos astros, lógico.

E por falar neles, alguns críticos podem dizer que Jack Black está mais careteiro do que nunca e que Ben Stiller não tem graça. Verdades absolutas e que são amplificadas no filme. E que vale também para a atuação de Robert Downey Jr., que - como você já deve ter lido inúmeras vezes - rouba a cena ao interpretar o ator que passa por uma série de cirurgias para se tornar african-american, incorporando ao seu dia-a-dia até o jeito de falar. Ótima escolha para voltar à cena depois do que já fez no papel de Tony Star em Homem de Ferro.

Aliás, o maior mérito do filme é utilizar os ótimos resultados do herói da Marvel e da animação Kung Fu Panda - estrelada por Jack Black - para criar uma campanha inteligente, escondendo do público as melhores piadas. Como já disse no Da Frigideira, palmas ao ator, roteirista, diretor e produtor Ben Stiller, que trocou essa prática comum pela criação de novas e hilárias situações, como o vídeo que vimos na introdução, a ação viral apresentada no MTV Movie Awards, os sites dos filmes dentro do filme, o documentário falso Rain of Madness, etc. Não é desculpa ainda para começar a brigar com os atores dos seus filmes, nem jogar na nossa cara o que já fez com Cameron Diaz, mas os milhões de dólares que a comédia já arrecadou são mais do que merecidos.

Assista aos clipes do filme

Trovão Tropical
Tropic Thunder
Trovão Tropical
Tropic Thunder

Ano: 2008

País: EUA

Classificação: 16 anos

Duração: 107 min

Nota do Crítico
Excelente!

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