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Crítica

Santoro e Ritchson entregam, mas Três Horas Para Viver sofre nas pausas da porrada

Falta finesse para filme estrelado pelo protagonista de Jack Reacher, mas seu público alvo não vai se importar com isso

Omelete
3 min de leitura
29.10.2026, às 14H21.
Rodrigo Santoro em Três Horas Para Viver (Reprodução)

Créditos da imagem: Rodrigo Santoro em Três Horas Para Viver (Reprodução)

Difícil negar que Scott Waugh sabe dirigir uma cena de ação. Embora o currículo do cineasta não seja nada prestigioso (Os Mercenários 4, Need for Speed: O Filme), assistir a Três Horas Para Viver é testemunhar algumas das sequências de porradaria mais cinéticas e impactantes dos últimos anos no cinemão comercial estadunidense (ou quase isso, visto que o filme é uma coprodução EUA/Austrália). Com a ajuda do seu montador Matt Villa (Elvis), Waugh se certifica que cada baque seja sentido, e abusa dos movimentos vertiginosos de câmera e efeitos cartunescos permitidos pelo orçamento (em torno de US$ 40 milhões). 

Como resultado, a ação em Três Horas Para Viver parece ao mesmo tempo irreal, absurda naquela medida excitante do cinema do gênero, e palpável. E o texto, assinado pelos estreantes Miles Hubley e Tommy White, também sabe desenhar os seus personagens nesse mesmo limiar: Hank Malone (Alan Ritchson), nosso protagonista, é um ex-militar com um passado trágico, que precisa enfrentar o escorregadio chefão do tráfico Damián Zaldivar (Rodrigo Santoro) para entregar um órgão congelado a um hospital, onde uma menina doente espera por um transplante.

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Há fatores extenuantes e personagens secundários aí, é claro, mas você não precisa saber de nenhum deles – o que de fato importa aqui é o contraste entre o herói e o vilão, e os dois atores encontram o tom perfeito para desenhá-lo. Ritchson, apesar do tamanho e da fama como o quase psicopático Jack Reacher na série do Prime Video, é ótimo em viver o herói sensível (prepare-se para se emocionar com uma única lágrima escorrendo pelo rosto dele!) e honrado, que retém o aspecto perfeitamente limpinho até quando começa a levar porrada e sangrar. E Santoro, em resposta, cria o vilão mais ensebado de sua carreira.

Longe da imponência andrógina de Xerxes (300) ou até da confiança cafona de Abu (Corrida dos Bichos), Damián é um antagonista na veia clássica de Gary Oldman em O Profissional, ou John Malkovich em Con Air. Sempre suado, impulsivo no uso da violência, com tudo a provar e nada a perder – ele é uma caricatura, é claro, e nem faz sentido a forma como Santoro decide incluir algumas falas em português no meio do roteiro (o seu personagem, ao que tudo indica, é colombiano), mas é impossível tirar os olhos dele, e a contraposição dos dois é a única faísca dramática que Três Horas Para Viver demonstra em toda a sua 1h30 de metragem.

Acima de tudo, é notável como a direção de Waugh desmorona assim que a adrenalina se dissipa. Se o cineasta deixa seus atores livres para improvisar – além do português de Santoro, poderia apostar meu salário que Owen Wilson inventou em torno de 80% dos seus diálogos –, é também porque ele não sabe como conduzir as interações mais simples com firmeza. E aí que trocas corriqueiras são filmadas em irritantes giros 360º, e que a trilha sonora (assinada por Charlie Nguyen Kim) surge recheada de cordas genéricas e seleções country rock imperdoáveis.

Para este que vos fala, a inaptidão dramática atrapalha um pouco a diversão do que poderia ser um filme de ação médio para lá de respeitável – mas é claro que uma boa parte do público não vai ligar nem um pouco para isso, e sem dúvida há ideias piores do que passar 1h30 desfrutando de uma pancadaria honesta, nas boas companhias de Ritchson e Santoro.

Nota do Crítico

Três Horas Para Viver

Runner

Duração: 98 min
Direção: Scott Waugh
Roteiro: Tommy White, Miles Hubley
Elenco: Alan Ritchson, Owen Wilson, Rodrigo Santoro
Onde assistir:

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