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Crítica

Tomb Raider: A Origem | Crítica

Alicia Vikander é um acerto, mas Hollywood ainda não entendeu os games

Thiago Romariz
15.03.2018
21h25
Atualizada em
24.03.2018
03h03
Atualizada em 24.03.2018 às 03h03

Tomb Raider - A Origem é mais uma tentativa de Hollywood de entender a indústria dos games. Enquanto outras adaptações mudaram grande parte do enredo e trocaram personagens pra transformá-los em algo mais plausível para a audiência, o filme não faz quase nenhuma concessão. Ele é a adaptação mais fiel que um videogame pode ter, em termos visuais e principalmente na ação.

Não é como se essa característica o tornasse um acerto, afinal, são necessárias algumas mudanças para a transição games-cinema funcionar de verdade. Ainda assim, quem é fã da franquia - e principalmente dos últimos jogos - verá cenas idênticas, expressões faciais iguais e até movimentos da protagonista iguaizinhos aos que a Crystal Dynamics criou. De fato, essa Lara Croft é igual a que conhecemos nos games.

A parte frágil de Tomb Raider é o roteiro, que demonstra não só a fragilidade do filme como um todo, mas do próprio game. As situações são pautadas por clichês e as relações entre personagens são superficiais ao extremo - mesmo que o elenco escolhido seja de ótimos atores. A história aqui mescla elementos dos dois últimos jogos e entrega uma jornada de origem da heroína. Ainda que exista algum risco e emoção na aventura como um todo, há pouco com que se importar com Lara.

Se por um lado a falta de controle da personagem limite a relação da audiência com Croft, Alicia Vikander consegue entregar um bom trabalho com o que tem em mãos: falas rasas e alguns dilemas bem irrelevantes. Lara é super rica, mas não causa ojeriza ao espectador principalmente por causa do carisma da atriz, que desempenha bom papel na ação e nas cenas mais dramáticas. Ao lado dela, Walter Goggins é outro que consegue fazer um bom trabalho dentro das limitações de Mathias Vogel, vilão do longa. Infelizmente o mesmo não se pode falar de Richard Croft, vivido por Dominic West. O explorador serve como inspiração para a protagonista, mas desvia o foco e chama atenção para todos os erros do roteiro: tudo que contém o pai de Lara faz o filme perder a força. Sem dúvida, ele protagoniza a pior e mais desnecessária cena do filme.

Tomb Raider tem ótimas cenas de ação e entrega uma diversão descompromissada que consegue não ofender o espectador, apesar das falhas do roteiro ao desenvolver a relação de pai e filha. Vikander segura a onda quando está em cena e realmente transforma a personagem em algo mais interessante, com boa possibilidades para o futuro. Talvez se fosse menos fiel e esquecesse a emulação de tantas relações e cenas do game, Tomb Raider - A Origem fosse melhor, menos superficial. Muitas vezes, a sensação é de se estar reassistindo o game, mas sem poder controlar nada - o que elimina qualquer interação e empatia com a história.

É mais uma tentativa de Hollywood que não chega a ser um fracasso, mas mostra que ainda é necessário mais tempo para compreender o que há de melhor mas histórias contadas em videogames.

Tomb Raider: A Origem
Tomb Raider (2018)
Tomb Raider: A Origem
Tomb Raider (2018)

Ano: 2018

País: EUA

Elenco: Alicia Vikander, Walton Goggins

Nota do Crítico
Regular

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