O novo Todo Mundo em Pânico é bom? Francamente, não importa
Sexto filme da “saga” dos irmãos Wayans chega atrasado, mas tem algumas boas sacadas
Créditos da imagem: Cena de Todo Mundo em Pânico (Reprodução)
O novo Todo Mundo em Pânico inclui uma sequência estendida na qual a piada gira em torno da cena de hipnose de Corra! – um longa que, marcante como foi para o gênero e o cinema como um todo, completa dez anos de idade em 2027. É verdade que não temos um novo capítulo da franquia de comédia, inteiramente baseada na premissa de apontar e rir dos lançamentos mais recentes do terror, desde antes da estreia da obra de Jordan Peele… mas o cheiro de coisa velha permanece, e não é só aqui.
Este Todo Mundo em Pânico (sem o 6 na frente do título, como o estúdio tem se preocupado em destacar sempre que possível) também recorre a Halloween (2018), Ma (2019) e John Wick (2014) para piadas com certo destaque no roteiro, assinado por cinco (!) nomes diferentes: quatro dos irmãos Wayans e Rick Alvarez, parceiro recorrente da família de comediantes nos scripts de suas produções.
É como se essa trupe estivesse tirando o atraso, de certa forma, mas o quão bem a premissa de um Todo Mundo em Pânico resiste ao fato de que suas referências tem uma década ou mais de idade? A graça instintiva de imitar aquele meme do Leonardo DiCaprio enquanto paródias aparecem na tela sobrevive ao fato da piada original já ter envelhecido? A resposta é não, ou pelo menos não muito bem. Então é claro que o novo Todo Mundo em Pânico acha um pouco mais de ritmo quando se desprende dessa necessidade de falar de tudo o que rolou desde o último filme.
Nesses momentos, surpreendentemente, o longa tem boas sacadas – e até algumas que se descolam da necessidade de uma recriação óbvia. É infalível: uma piada de fundo com a premissa da franquia Premonição me arrancou mais risadas do que o trailer falso de Michael estrelado por Kenan Thompson; zoações certeiras com chavões de terror (perseguições em câmera lenta) ou com o histórico dos personagens (Cindy e Brenda enterrando um “figurante branco qualquer” no quintal) são mais engraçadas do que a reencenação da cena musical dos vampiros irlandeses em Pecadores.
Se o novo Todo Mundo em Pânico tem algo além dessas paródias diretas, inclusive, é um discurso que cheira igualmente atrasado: esta é uma legacy sequel sobre legacy sequels, que tira sarro da mistura de personagens “clássicos” e novatos que guiou o retorno de franquias como Caça-Fantasmas e Star Wars durante a última década e meia de cinemão hollywoodiano. É uma tendência que reinou suprema até poucos anos atrás, mas já mostra sinais de desgaste, e a julgar por suas reviravoltas de último ato Todo Mundo em Pânico talvez ambicione ser o prego no caixão dessa onda.
São pontos de interesse, enfim, que como crítico são impossíveis de não notar. Mas seja sincero também, caro leitor: você precisa mesmo saber quais são as qualidades fílmicas do novo Todo Mundo em Pânico? Realmente importa se o diretor Michael Tiddes (outro colaborador frequente dos Wayans) faz o mesmo estilo de comédia capenga, mas inteiramente inconsciente da própria capenguice, que se espera dele? Interessa mesmo o quanto a saga atualizou em suas visões mais problemáticas (o fato de Marlon Wayans ter um filho trans, eu suspeito, ajudou muito nesse sentido)?
No fim das contas, Todo Mundo em Pânico faz exatamente o que seu público pede dele, o que não deixa de ser uma virtude em si. Você sabe o que esperar, assim como eu sabia quando entrei na minha sessão. A qualidade real do filme é, portanto, essencialmente imaterial para sua experiência no cinema – mas não diga que eu não avisei.
Tudo Mundo em Pânico (2026)
Scary Movie (2026)
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