Angourie Rice e Lucas Jade Zumann dançam em cena de Todo Dia

Créditos da imagem: Paris Filmes/Divulgação

Filmes

Crítica

Todo Dia

Adaptação do livro de David Levithan poderia ser o próximo sucesso adolescente, mas não sai dos clichês do gênero

Mariana Canhisares
26.07.2018
17h06
Atualizada em
30.07.2018
00h15
Atualizada em 30.07.2018 às 00h15

Há anos Hollywood pena para encontrar um novo romance adolescente capaz de conquistar uma geração de fãs e entrar para o hall dos filmes queridinhos do público. A adaptação de Todo Dia, do diretor Michael Sucsy, tinha potencial para assumir esse posto por se basear no best seller de David Levithan. No entanto, decepciona ao cair nos clichês do gênero.

O longa narra a história de Rhiannon, uma garota comum que se vê diante de uma situação inusitada: ela está apaixonada por uma pessoa que muda de corpo todos os dias. A, como o personagem se autodenomina, vive 24h como um indivíduo da sua idade, sem poder escolhê-lo. Ora é de um gênero, ora de uma etnia. A única certeza que tem é que a próxima pessoa que ocupará mora ali nas redondezas. Logo, se o casal quiser ficar junto, eles precisarão contornar viagens e outros empecilhos que as pessoas “ocupadas” podem ter programado nas suas vidas naquele dia em especial.

A história realmente causa estranhamento. Como e por que essa possessão acontece? A é uma entidade, um espírito ou o quê? Qual é o objetivo de todas essas trocas de corpo? Com o desenrolar da trama, até é possível deixar essas questões de lado e se importar em alguma medida com os personagens em todas as suas versões, mas a verdade é que só o romance não sustenta os 90 minutos de filme. A construção de conflito entre os dois protagonistas é muito arrastada e, sem as respostas para as perguntas, não dá para entender muito bem por que valeria a pena acompanhar tudo aquilo. No fim, o filme acaba sendo apenas mais um romance adolescente, sem nada de inédito.

Porém, talvez o grande erro tenha sido deixar Rhiannon como ponto focal da trama. Embora lide com seus próprios dramas familiares, a personagem no fundo é bastante desinteressante se comparada à complexidade de A. Enquanto o misterioso personagem ganha camadas a cada ator e atriz que o interpreta - entre eles Jacob Batalon, o Ned de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, e Justice Smith, de Cidades de Papel -, a adolescente vivida por Angourie Rice praticamente se resume ao seu novo relacionamento. Com uma personalidade tão simplificada, é difícil sentir empatia por ela e entender sua postura diante do que seria o grande impasse do namoro. Como consequência imediata, a história cai no maçante.

Assim, Todo Dia pode agradar os fãs do livro, mas não deve ter efeito semelhante ao que A Culpa é das Estrelas causou em 2014. Enquanto a adaptação da obra de John Green emociona e é cheia de carisma, o filme de Sucsy não gera nada além de indiferença.

Nota do Crítico
Regular