Tio Drew

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Crítica

Tio Drew

Filme é feito para fãs de basquete, mas espectadores casuais devem passar longe

Fábio de Souza Gomes
17.07.2018
18h37
Atualizada em
19.07.2018
15h35
Atualizada em 19.07.2018 às 15h35

O quanto você gosta de basquete? Você precisa responder com sinceridade essa pergunta para decidir se vai assistir ou não Tio Drew, filme inspirado em uma série de curtas de uma marca de refrigerante estrelados por Kyrie Irving (astro do Boston Celtics). Se você vê a NBA, entende da história do esporte nos EUA, da importância do basquete de rua e até conhece times clássicos da faculdade vá sem medo. Aproveite, pois esse momento é seu. Porém, se você não gosta de basquete fique longe, pois é provável que você não ache a menor graça no filme.

Ao contrário dos curtas, que contavam com uma história de introdução antes de colocar Kyrie Irving vestido como um velho jogando contra pessoas reais, o filme conta com um roteiro fechado. Nele, Lil Rel Howery vive Dax, um homem apaixonado por basquete que investiu dinheiro em um time amador e faz de tudo para que o grupo consiga ganhar um torneio de basquete de rua no Rucker Park (quadra lendária dos EUA). No entanto, entre os vários contratempos que precisa enfrentar, está a perda de sua equipe para o rival, interpretado por Nick Kroll.

A história segue a velha fórmula do “vamos nos reunir pela última vez” como tantos filmes já fizeram. Após ver o velho Tio Drew (Irving) jogar um jogo de um contra um, ele convida o ex-jogador a participar do torneio e ele só aceita se puder reunir seu antigo time. Então, eles partem para uma viagem ao longo dos EUA para encontrar uma equipe de idosos formada por Reverendo (Webber), Lights (Miller), Boots (Nate Robinson) e Big Fella (Shaquille O’Neal). Cada um deles está em uma situação absurda diferente.

A todo o momento o longa faz piadas para quem é fã do jogo. Exemplos não faltam: o personagem interpretado por Shaquille O’Neal chamando um jogador fominha de Kobe (alusão a briga entre os jogadores na época de Los Angeles Lakers); o fato do Reggie Miller (um dos maiores arremessadores da NBA) errar todos os seus arremessos por ser “cego”; até mesmo uma piada com um dos momentos mais infâmes de Chris Webber no Fab Five (como era conhecido o time da faculdade do ala-pivô). O espectador comum não fará ideia do que está acontecendo, mas pra quem conhece os ex-atletas e sua história é um prato cheio.

Apesar das piadas funcionarem para fãs, o roteiro deixa a desejar. Um dos pontos baixos do filme é que muitas vezes a história simplifica demais resoluções para que a jornada dos idosos possa continuar. O maior exemplo disso envolve a personagem da também ex-jogadora Lisa Leslie, que é a esposa do Reverendo.

A personagem lembra muito a vilã vivida por Carrie Fisher em Os Irmãos Cara de Pau, perseguindo insanamente os protagonistas e fazendo o possível e o impossível para pará-los. Depois de quase matar seu marido e o time duas vezes, na parte final do longa ela encontra com todos e está tudo bem de novo – se prontificando, inclusive, para jogar se necessário. E esse é apenas um dos exemplos que se repetem ao longo da produção.

Por incrível que pareça, a maioria dos jogadores está realmente atuando bem. Irving e O’Neal mudam a voz e a postura para parecem mais velhos e o maior destaque fica com Webber, que aparece cantando como um reverendo e mantendo seu corpo um pouco mais corcunda até mesmo em algumas cenas dentro da quadra. Claro, nem todos conseguem passar realidade – Miller não está nem tentando parecer velho, enquanto Aaron Gordon (atual jogador do Orlando Magic e que interpreta um dos vilões) está péssimo. Porém, no geral, o resultado é positivo se comparado com outros filmes com atletas.

O filme, contudo, é um grande merchandising de Pepsi (que esteve por trás dos curtas originais) e Nike (patrocinadora oficial de Irving). Em nenhum momento o nome das marcas é falado, mas elas estão lá. Desde a mochila de Drew com as cores da marca de refrigerante até seu agasalho com o símbolo da fornecedora esportiva. A todo tempo as marcas são reforçadas e, no fundo, o filme acaba ficando com um clima de propaganda.

Apesar de vários erros, Tio Drew ainda é um bom filme SE você é fã de basquete – especialmente se acompanhou os curtas e cresceu vendo a NBA nos anos 2000. É como se fosse uma grande piada interna. Quem conhece o jogo vai se divertir e rir em diversos momentos. Porém, se você não conhece nada, vai apenas perder seu tempo.

Nota do Crítico
Bom