Filmes

Crítica

O Tigre e o Dragão

Made in China, mas com garantia de qualidade

Marcelo Forlani
15.02.2001
01h00
Atualizada em
05.09.2019
23h25
Atualizada em 05.09.2019 às 23h25

Brinquedos, pérolas ou eletrodomésticos. Os produtos chineses são geralmente discriminados e taxados como de segunda linha. O mesmo acontece com o cinema. Apesar de ser um dos mais ricos mercados produtores de filmes do mundo e o maior do oriente, os filmes da região dificilmente conseguem emplacar na América.

O Tigre e o Dragão (Crouching Tiger, Hidden Dragon) chegou para quebrar este tabu. Dirigido por Ang Lee (Razão e Sensibilidade), este épico baseado numa série de livros chineses foi aplaudido em pé em Cannes, é o filme em língua estrangeira mais visto no poderoso mercado ianque (vale lembrar que os norte-americanos são preguiçosos e não gostam de filmes legendados) e recebeu dez indicações para o Oscar 2001, incluindo melhor Filme e Diretor.

Público, mercado e críticos se renderam ao estilo chinês de fazer filmes de ação. Quem gostou das lutas de Matrix vai conferir o novo trabalho do coreógrafo Yuen Wo-Ping, fazendo os atores voar, andar sobre a água e, claro, lutar como nunca!

O ator Chow Yun-Fat (Assassinos Substitutos), famoso no oriente pelos papéis nos filmes dirigidos por John Woo, entre eles Fervura Máxima, foi transformado no mestre Li Mu Bai. Cansado da vida dentro de um mosteiro, ele desce de seu retiro na montanha para anunciar que deixará de ser guerreiro. Então, resolve dar a quadricentenária espada Destino Verde à sua amiga Shu Lien (Michele Yeow, de 007 O Amanhã nunca morre), para que ela leve a lendária arma a Pequim. Na capital chinesa, Shu Lien conhecerá Jen Yu (Zhang Ziyi), filha do governador.

Estes são os quinze minutos que antecedem a primeira emocionante caçada e luta do filme. Acostume-se por ver a gravidade sendo desafiada a cada segundo. Os guerreiros Wudan seguem um manual e são treinados à exaustão, buscando o máximo da leveza de seu corpo (viu como não é tão difícil arranjar um motivo fantasioso, mas que permita as lutas serem plausíveis?.

Nem só de pancadaria se enchem as duas horas de filme. O Tigre e o Dragão se destaca justamente por construir o caráter de cada peça neste quebra-cabeças e mostrar suas motivações ao espectador. Some à lista dos personagens principais a Raposa Jade (Cheng Pei-Pei) e você terá uma lista de três mulheres e apenas um homem, fato incomum no cinema, seja ele do leste ou do oeste.

Há ainda na trama um romance impossível, o drama de uma menina que quer tomar suas próprias decisões, cenas cômicas e honra, sempre muita honra. Cada pessoa ainda poderá ver e interpretar esta história de uma maneira diferente, surgindo então novas características que ajudam a tornar O Tigre e o Dragão uma experiência ímpar. Coitados dos donos de locadoras, que terão que escolher entre colocar o filme na seção de filmes asiáticos, de ação ou romance.

Nota do Crítico
Excelente!