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A Bruxa | Crítica

Produzido por brasileiros, filme de época revela novo talento do terror

Érico Borgo
11.09.2015
22h20
Atualizada em
11.09.2015
22h33
Atualizada em 11.09.2015 às 22h33

Era de se esperar de um designer de produção e diretor de peças teatrais a obsessão com fidelidade histórica e esmero nos diálogos que The Witch entrega. Mas o estreante em longas Roger Eggers supera essa expectativa em seu apavorante suspense de época.

Produzido pela brasileira RT Features, o filme acompanha uma família de colonos ingleses se estabelecendo na Nova Inglaterra, nos EUA, no século XVII.

Banidos da plantação onde viviam depois de um julgamento, os puritanos William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) partem em direção ao interior inóspito da região levando seus filhos e poucos pertences. A clareira às margens de uma floresta onde se estabelecem, porém, não demora a dar sinais de que há uma força sombria trabalhando no local, especialmente quando a filha mais velha, Thomasin (Anya Taylor-Joy), perde o bebê da família inexplicavelmente. Outros sinais vêm a seguir, envolvendo os gêmeos Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson), além do filho do meio Caleb (Harvey Scrimshaw), determinado a ajudar seus pais durante sua provação.

Eggers é cirúrgico na construção da atmosfera em The Witch. Com uma fotografia escura e dessaturada, ele alterna os interiores claustrofóbicos da casa em construção, sempre parcialmente cobertos pela fumaça das velas, e a suposta liberdade da clareira aberta. Tudo parece convidar o que quer que esteja lá fora a entrar, porém. A fragilidade estrutural da fazenda recém-estabelecida em duro antagonismo com a solitária antiguidade da mata, que até durante o dia parece aterrorizante sob as lentes do estreante. A qualidade da reprodução histórica (que faz com que você preste atenção até nos pontos das roupas) e a musica lúgubre - também emprestada de Kubrick - ampliam o realismo e a ameaça.

A sensação de isolamento e o tema da familia sozinha contra forças sobrenaturais evocam imediatamente o clássico O Iluminado. Mas as semelhanças não vão muito além disso. Com diálogos em inglês arcaico, extraídos parcialmente de documentos de época, pela veracidade de uma era de superstição e fé extrema, The Witch explora os limites entre o suspense psicológico e o terror puro, inevitavelmente desavergonhado do que pretende ser. A cena final pode até quebrar um pouco da atmosfera conquistada tão intensamente por Eggers, mas a sensação que perdura é a de que há no mercado um novo e promissor cineasta no gênero.

Nota do Crítico
Ótimo

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