The Man I Love | Rami Malek canta e dança em drama sobre AIDS em Nova York
Dirigido por Ira Sachs, filme acompanha vida de ator que encara o que deve ser seu último papel
Créditos da imagem: Festival de Cannes/Divulgação
Filmado com textura, contraste e muita vida, The Man I Love sofre para igualar o poder de seu visual no trabalho dramático. Estrelado por Rami Malek, o filme de Ira Sachs nos transporta para Nova York nos anos 1980, quando a crise da AIDS está assolando a comunidade gay, e quando um ator de teatro chamado Jimmy (Malek) retorna do hospital após três semanas à beira da morte. Em busca de um último grande papel antes que a doença cobre o seu preço final, ele começa a refletir sobre tudo o que viveu.
The Man I Love retrata essas reflexões principalmente através da arte. Jimmy não é um homem de grandes discursos, exceto quando estes foram escritos para serem recitados no palco. O conhecemos através de suas apresentações. Como ele canta, com quem vai dançar e como está enquanto a performance se desenrola diz mais sobre ele do que qualquer conversa. Talvez por isso ele seja o parceiro perfeito para Dennis (Tom Sturridge), um homem ainda mais calado. Há um cuidado visível no olhar de Dennis, ao ponto de ele se dedicar a organizar a vida Jimmy, preparando seus remédios e refeições, e tolerar as traições dele, particularmente com o novo vizinho, Vincent (Luther Ford).
Novo morador de Nova York, Vincent veio da Inglaterra e desconsidera a situação da AIDS como um todo. Ele chega ao prédio de Jimmy pronto para noitadas, festas e beijos, e apesar de chamar o que sente pelo ator de amor quando confrontado por Dennis, o que Vincent parece sentir é mais uma empolgação por artistas do que qualquer outra coisa.
É por esse triângulo amoroso que o filme gira, inserindo aqui e ali participações da família de Jimmy (subutilizados, Rebecca Hall e Ebon Moss-Bachrach fazem sua irmã e cunhado, respectivamente), tentando usar a arte para nos informar, emocionalmente, sobre esses personagens. Sachs, contudo, mantém uma distância curiosa da história, e nunca se mostra capaz de justificar tanto a devoção de Dennis quanto a paixão desenfreada de Vincent. Apesar de não ser um musical, The Man I Love aposta tanto em cenas de canto e dança que se eles não se mostram suficientes, o que é o caso, nos resta contar com os atores para termos onde nos agarrar. Sturridge até faz um bom trabalho, mas o novato em cinema Ford se mostra bem mais perdido.
Resta Malek, que entrega aqui a mesma atuação que ele vem ensaiando em toda a sua carreira. Caras e bocas são sublinhadas por uma série de cacoetes e maneirismos, e para ser justo com ele, Sachs abraça sem reservas todas essas peculiaridades. Elas levam o trabalho de Malek a alguns bons momentos – sua canção no aniversário de casamento dos pais, que nunca o aceitaram 100% como gay, é genuinamente comovente –, mas estes são superados pela quantidade de vezes onde o ator parece querer nos convencer de alguma interioridade do personagem onde nenhuma se faz aparente.
A direção mais poética e contemplativa de Sachs sugere que ele comprou a ideia, e o cineasta está mais do que satisfeito com compor uma bela imagem na qual Malek pode entrar e fazer o que sabe. Infelizmente, não o acompanhamos nessa jornada, e eventualmente, fica a sensação de que The Man I Love nos deixou para trás.
The Man I Love
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