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Crítica

The Cloverfield Paradox | Crítica

Terceiro filme da franquia é apenas uma grande desculpa

Natália Bridi
08.02.2018
16h56
Atualizada em
14.02.2018
16h35
Atualizada em 14.02.2018 às 16h35

Cloverfield fez do mistério e da inventividade o lema da sua franquia. O primeiro filme, lançado em 2008, circulava com outro título, 01-18-08, até chegar aos cinemas, quando caiu no gosto do público e da crítica ao usar o gênero do found footage para para mostrar o lado civil de uma invasão de monstros. O segundo, Rua Cloverfield, 10, de 2016, nasceu como The Cellar e foi incorporado à marca em um filme completamente diferente do longa original, contrastando monstros humanos e espaciais.

No seu terceiro capítulo, uma nova surpresa. O primeiro trailer do filme ainda sem título, exibido no Super Bowl, o evento máximo da TV nos EUA, era um anúncio de estreia: após o jogo, O Paradoxo Cloverfield estaria disponível na Netflix. A reação imediata de empolgação, porém, logo se transformou em desgosto. Depois de dois bons filmes que usavam gêneros preestabelecidos para criar algo novo, Cloverfield apresentava um pastiche de ideias melhores povoado por personagens rasos.

Solaris, O Enigma do Horizonte e Alien são emulados na história da tripulação multicultural que tenta superar a crise mundial de energia com um superpoderoso acelerador de partículas. Antes que o experimento cause a desestabilização do espaço-tempo, com a estação espacial sendo teletransportada para outra dimensão e a Terra sendo invadida por monstros, um cientista aparentemente picareta fala na TV sobre os perigos do paradoxo que dá título ao filme. Apesar do aviso conveniente, quando coisas inexplicáveis passam a ameaçar a tripulação, as mentes mais brilhantes do planeta demoram a concluir que o tal paradoxo não era charlatanismo.

Os eventos bizarros - uma mulher encontrada entre a fiação da nave, um braço com vida própria, entre outros - são respiros interessantes e tecnicamente bem realizados em 1h42 de filme, mas a falta de consistência do roteiro de Oren Uziel torna tudo gratuito. Não há uma ameaça verdadeira quado os personagens não são suficientemente interessantes para que o espectador tema por suas vidas. Há a uma tentativa dramática em torno de Hamilton (Gugu Mbatha-Raw) - a oportunidade de reencontrar sua família perdida em outra dimensão -, mas não existe reflexão, apenas um questionamento superficial armado para criar um ponto de virada na trama.

O Paradoxo Cloverfield é um capítulo insatisfatório dentro de uma franquia inovadora, cuja inferioridade em relação aos filmes anteriores transforma a revolução anunciada por seu lançamento democrático em uma grande desculpa. Bom para Paramount, que se livrou dos custos de lançamento de um provável fracasso nas bilheterias, bom para Netflix que tomou grande parte das conversas em uma noite que também promoveu filmes como Han Solo - Uma História Star Wars e Vingadores: Guerra Infinita, péssimo para o público. 

Nota do Crítico
Regular