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Crítica

Terremoto: A Falha de San Andreas | Crítica

Ação exagerada e carisma de The Rock salvam filme-catástrofe sentimental

Natália Bridi
27.05.2015, às 21H03

Um filme-catástrofe tem dois caminhos a seguir: estudar a natureza humana em situações extremas ou simplesmente criar um espetáculo grandiloquente. Essas rotas podem se cruzar e levar a um destino como Titanic (1997), ou resultar em muito barulho por nada, como no caso de Terremoto: A Falha de San Andreas (San Andreas).

Visto em uma moldura de parque de diversões (veja a nossa avaliação do filme em 4D), o resultado é excelente. Os movimentos sísmicos da falha de San Andreas (a linha que marca o limite entre a Placa do Pacífico e a Placa Norte-americana) são transformados em um show pirotécnico amarrado por situações simplificadas vividas por atores carismáticos. Em uma análise fria, porém, a direção de Brad Peyton, que se mostra acertada na hora de destruir Los Angeles, San Franciso e parte do estado de Nevada, é calamitosa em relação aos dramas que tenta estabelecer entre seus personagens.

Tudo é esquematizado da forma mais literal possível, com um roteiro (escrito por Carlton Cuse) saído de um manual para iniciantes. As fotos de família que Ray (Dwayne "The Rock" Johnson) observa servem para mostrar que ele é um herói cheio de dramas pessoais e marcar o local que ele e a filha (Alexandra Daddario) usarão como ponto de encontro mais tarde. O arranha-céu em construção que o personagem de Ioan Gruffudd mostra para a enteada servirá de cenário para o terceiro ato do longa. Nada existe por acaso, como no cinema clássico, mas tudo é tão óbvio e artificial que fica difícil aceitar de bom grado qualquer coisa no filme que não sejam os efeitos visuais.

Peyton usa Paul Giamatti, que nunca chega a cruzar o caminho de The Rock, para legitimar a sua trama e garantir o bem comum: é o cientista incompreendido que explica didaticamente a ciência do filme e salva o mundo com seu conhecimento. O protagonista por sua vez, apresentado com pompa divina no comando de uma unida equipe de resgate, foge do dever e dos seus companheiros já nos primeiros tremores. O herói centra todos os seus esforços na filha e na ex-esposa (Carla Gugino) - o drama de outros civis sequer chega a ser abordado. Por sorte, logo surge um plano geral para mostrar o tamanho da destruição e levar o foco das imperfeições do roteiro para a falha entre as placas tectônicas.

Com paisagens de terra firme que ondulam como água e prédios que caem como castelos de cartas, Terremoto: A Falha de San Andreas tem duas cenas que  por si só valem o ingresso (de uma boa sala de cinema). A primeira começa com uma ótima participação de Kylie Minogue e culmina em um movimentado plano-sequência (amparado pela mágica dos efeitos visuais). A segunda é uma clássica vingança emocional, quando o magnata covarde de Gruffudd colhe tudo o que tinha plantado até então.

Pensado para o público conservador/patriota dos EUA, o filme não funciona totalmente fora do seu nicho. Peyton pensa ter criado uma narrativa humana, mas seu trabalho não passa de um exagero inconsequente. Um sentimentalismo que atrapalha a ação de The Rock e Cia. Era melhor ter seguido apenas pelo caminho do espetáculo. 

Terremoto: A Falha de San Andreas (2015)
San Andreas
Terremoto: A Falha de San Andreas (2015)
San Andreas

Ano: 2015

País: EUA

Classificação: 10 anos

Duração: 110 min

Direção: Brad Peyton

Roteiro: Allan Loeb

Elenco: Alexandra Daddario, Dwayne Johnson, Carla Gugino, Colton Haynes

Nota do Crítico
Bom

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