Cena de Te Peguei!

Créditos da imagem: Warner Bros./Divulgação

Filmes

Crítica

Te Peguei!

Da vida adulta, bastam os boletos

Natália Bridi
27.08.2018
17h15
Atualizada em
27.08.2018
18h06
Atualizada em 27.08.2018 às 18h06

O conceito geral sobre vida adulta é construído em torno da seriedade que deve ser assumida assim que a primeira fase da existência acaba. Nesse sentido, é necessário abandonar brinquedos, quadrinhos, super-heróis, camisetas com estampas da cultura pop ou qualquer tipo de humor que não seja “inteligente”. Te Peguei! (Tag), filme sobre um grupo de amigos que continuou a brincar de pega-pega na vida adulta, é um argumento entusiasmado contra essa ideia.

Baseado em uma matéria do Wall Street Journal, a estreia de Jeff Tomsic em longa-metragens parte da emoção que transforma a realidade por alguns momentos durante uma brincadeira. Assim, a perseguição entre os amigos recebe o tratamento de cena de ação, com direito a movimentos de câmera frenéticos e acrobacias perigosas. A autenticidade das cenas foi levada tão a sério que Jeremy Renner  fraturou os dois braços no segundo dia de filmagens, tudo para garantir a fluidez nos movimentos do seu personagem, Jerry Pierce, o campeão invicto de “Tag”. O acidente, que exigiu alguns toques de computação gráfica para apagar os gessos nos braços do ator, não atrapalhou os propósitos do longa. É realmente possível acreditar que Jerry Pierce é o melhor naquilo que faz, mesmo que seja apenas fugir dos seus amigos de infância.

A credibilidade do personagem de Renner é um elemento essencial, já que a grande motivação do grupo é finalmente pegar Jerry durante os preparativos do seu casamento. Assim, Hoagie (Ed Helms), Bob Callahan (Jon Hamm), Chilli (Jake Johnson) e Kevin (Hannibal Buress) partem para cidade em que nasceram, levando Anna (Isla Fisher), a esposa de Hoagie, e Rebecca (Annabelle Wallis), a repórter do Wall Street Journal. A construção da trama é muito simples, assim como o seu desenvolvimento. Não há qualquer profundidade em Te Peguei!. Mesmo quando acena para um momento dramático, existe a consciência de que ninguém está ali para isso.

O entrosamento do elenco garante com que a piada funcione. Uma brincadeira motivou a criação do filme e essa é a sensação passada entre um plano mirabolante e outro. Te Peguei! quer falar sobre os benefícios de não se levar a vida tão a sério e, para tanto, não pode exagerar a própria importância. É o que enquadra o filme dentro do subgênero “boa distração”. Não é nem a comédia mais engraçada do mundo, nem o melhor filme de ação. Porém, a direção competente e o elenco disposto tornam a experiência agradável até durante o rolar dos créditos. Em suma, ser adulto significa que você tem contas para pagar, mas é dono da própria vida e pode fazer o que quiser, seja brincar de pega-pega ou ver um filme sem grandes pretensões.

Nota do Crítico
Bom