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Crítica

As Tartarugas Ninja | Crítica

Nova versão acerta nos efeitos e erra no roteiro

Thiago Romariz
13.08.2014
19h00
Atualizada em
29.06.2018
02h47
Atualizada em 29.06.2018 às 02h47

As Tartarugas Ninja surgiram obscuras e violentas nos quadrinhos de Kevin Eastman e Peter Laird. Com o passar dos anos, o tom sério diminuiu e as camadas de humor ficaram mais presentes em animações e nos filmes. O reboot produzido por Michael Bay e dirigido por Jonathan Liebesman (Invasão do Mundo: Batalha em Los Angeles) une essas duas vertentes: aplica a brutalidade no visual dos quelônios e as torna engraçadas e divertidas, tal qual nas últimas animações da Nickelodeon.

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O conceito funciona de maneira isolada, pois o roteiro não sustenta o realismo das tartarugas. Preocupado em explicar cada um dos acontecimentos em tela, o filme se perde no meio de tantos momentos didáticos desnecessários e repetitivos. A sequência inicial (feita em homenagem a Eastman/Laird) resume em poucos minutos a vida dos protagonistas e da cidade onde vivem de forma concisa. O restante do longa, porém, julga que o espectador não é inteligente o suficiente para entender o contexto de primeira e insiste em detalhar tudo de novo - da criminalidade em Nova York a situação do quarteto principal.

Apesar disso, Liebesman captura bem o entrosamento de Leonardo, Rafael, Donatello e Michelangelo - esse último a grande estrela da equipe, como de costume. As piadas nerd ao estilo Big Bang Theory funcionam nas primeiras vezes, mas perdem força depois de meia hora. O que funciona de fato são as brincadeiras entre eles, que deveriam ser o foco do longa em si. O reboot, porém, decide investir em April O'Neill. A jornalista vivida por Megan Fox sempre teve um papel importante na história das Tartarugas, mas poucas vezes houve tamanha participação como nesse reboot. E se a decisão em si já ofusca os protagonistas e prejudica o filme, a atuação de Fox leva por água abaixo qualquer pretensão de simpatia com a personagem.

O visual dos heróis, tão criticado no começo, é um dos pontos altos de As Tartarugas Ninja. Tudo funciona dentro da pegada sugerida, um misto de truculência (elas são os seres mais fortes do mundo) e amabilidade (a expressão facial de todos passa um ar de gentileza). Nesse aspecto, a refilmagem conversa perfeitamente com jovens da geração atual, fãs de Transformers, G.I. Joe e semelhantes. A diferença em relação a estes filmes está na fotografia paciente e menos frenética de Lula Carvalho. É possível entender o que acontece em tela mesmo quando há quatro tartarugas, um rato mutante, um robô e inúmeros soldados dentro do esgoto, por exemplo.

Quando foi oficializado o reinício dos personagens no cinema, o medo dos fãs era algo que alterasse a obra original. As Tartarugas Ninja de Michael Bay não desrespeita os primórdios de forma literal, mas os torna um subproduto resumido às piores influências de criações pop recentes.

Nota do Crítico
Regular