Summer of Soul

Créditos da imagem: Telecine

Filmes

Crítica

Summer of Soul é uma das melhores coisas que você vai ver este ano

Documentário sobre festival musical dos anos 1960 ensina, diverte, emociona e faz pensar

Marcelo Forlani
28.01.2022, às 16H56
ATUALIZADA EM 28.01.2022, ÀS 18H14
ATUALIZADA EM 28.01.2022, ÀS 18H14
Era o verão de 1969, o mesmo em que os hippies rolaram na lama de Woodstock e que o homem chegou à Lua. Mas para grande parte da população negra e hispânica que morava na cidade de Nova York, aqueles dias ficaram marcados por um outro evento que tomou conta de um parque no Harlem. Por seis fins de semana seguidos, o local viu (e ouviu e dançou com) alguns dos maiores nomes da música negra estadunidense da época, como Steve WonderNina SimoneB.B. KingSly and the Family Stone, corais de Gospel, nomes da Motown, do jazz e do blues e grupos latinos do lado caribenho do bairro.
 
Nunca tinha ouvido falar do Harlem Cultural Festival? Não se culpe. Entenda porque houve (mais) este apagamento da cultura negra e latina vendo o espetacular documentário Summer of Soul (...Or, When the Revolution Could Not Be Televised), dirigido por Ahmir "Questlove" Thompson. Sim, agora o produtor musical, DJ, compositor e jornalista pode atualizar seu CV colocando em letras garrafais o trabalho de Cineasta, com "C" maiúsculo.
 
Questlove pega as mais de 40 horas de gravação feitas por Hal Tulchin e não se restringe a apenas mostrar os shows que aconteceram no norte de Manhattan no fim dos anos 1960. Além de um trabalho excepcional de restauração do material, ele vai apresentando os artistas participantes , o contexto de onde eles vinham até aquele momento e sua importância naquele cenário. E pontua tudo isso com personagens que viveram aqueles dias, seja no palco ou na plateia, a moda, o momento cultural e revolucionário - o assassinato de Martin Luther King, a Guerra do Vietnã, pessoas do Partido dos Pantera Negra fazendo a segurança do evento, etc.
 
O ambiente não era de um festival como se vê hoje em dia, com pista VIP e selfies para serem vistas nas redes sociais. Pelo contrário, tudo ali foi gratuito para o público, que se amontoava buscando a melhor visão onde fosse. Crianças, velhos, pessoas vestindo terno estavam lado a lado com outros usando as cores e texturas da África. Cada um curtia do seu jeito. Como um dos entrevistados lembra: "era o maior churrasco de domingo de todos os tempos".
 
O filme, que já estava disponível online aos assinantes do Telecine, chega agora ao cinemas do Brasil. Sua carreira começou Festival de Cinema Sundance 2021, de onde saiu com os prêmios do Júri e Público na competição de documentários e o credencia como um potencial candidato ao Oscar de 2022. E não seria injusto se além de concorrer ao prêmio de Documentário, figurasse também como Melhor Montagem e até Melhor Filme, porque ao mesmo tempo em que ensina, também diverte, emociona e faz pensar. Summer of Soul é uma das melhores coisas que você vai ver este ano.
Summer of Soul (...ou, Quando A Revolução Não Pode Ser Televisionada)
Summer of Soul (...Or, When the Revolution Could Not Be Televised)
Summer of Soul (...ou, Quando A Revolução Não Pode Ser Televisionada)
Summer of Soul (...Or, When the Revolution Could Not Be Televised)

Direção: Questlove

Nota do Crítico
Excelente!

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