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Crítica

Submersão | Crítica

Longa estuda o lado mais sombrio da guerra para avaliar os extremos da humanidade

Natália Bridi
12.09.2017
21h04
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

O mundo não é preto e branco, mas é feito de extremos. Em Submersão, adaptação do livro do ex-correspondente de guerra J.M Ledegard, Win Wenders vai até a parte mais funda do oceano e ao lado mais sombrio da guerra para avaliar o que une e separa a humanidade.

É uma história de amor entre uma cientista (Alicia Vikander) e um engenheiro/informante da MI6 (James McAvoy). Os dois se preparam para assumir suas missões - ela explorar o fundo do oceano em busca de vida, ele identificar planos de ataques terroristas em algum lugar da África - e encontram um no outro um estímulo para se manter conectados ao mundo. É um romance que Wenders, pela fotografia de Benôit Debie, capta com delicadeza e contrasta com a escuridão que toma a vida dos dois quando se separam.

Ainda que essa delicadeza sirva ao propósito metafísico do filme, a falta de uma paixão arrebatadora torna frágil essa conexão amorosa com um mundo melhor. É um conforto que se expressa em teoria, idealizado, mas não é sentido. Na beira da existência eles buscam um ao outro, mas o filme trata isso como um conceito, um argumento para provar um ponto.

À personagem de Vikander cabe a parte introspectiva dessa relação. Preocupada com a distância de um grande amor que não retorna suas ligações, ela não consegue se concentrar no seu objetivo, na tese que pode mudar a forma como a ciência vê a formação de vida. Já McAvoy ganha terreno para expressar fisicamente suas angústias, sofrendo por amor e pela guerra. Se a relação entre os dois é frágil frente às ambições da narrativa, o trabalho dos atores garante que o mínimo de empatia por suas causas, assim como sensibilidade visual de Wenders sustenta seu propósito filósofo.

É possível que Submersão tivesse mais impacto em uma adaptação mais convencional, com todos as nuances de um romance clássico. Nas mãos de Wenders, porém, se tornou um filme para ser visto com calma, com espaço para fazer suas conexões, e para pensar sobre a vida no rolar dos créditos.

Nota do Crítico
Bom