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Crítica

Stronger | Crítica

Longa aborda todos os aspectos da tragédia humana, choca e emociona o público

Natália Bridi
09.09.2017
20h04
Atualizada em
10.09.2017
01h02
Atualizada em 10.09.2017 às 01h02

Um instante e a vida de Jeff Bauman deixou de ser ordinária. Em 2013, segundos depois de se posicionar na linha de chegada da Maratona de Boston, quando tentava reconquistar a ex-namorada, uma explosão tirou suas pernas. O atentado, que matou três pessoas e feriu outras 264, fez daquele funcionário qualquer da rede de varejo Costco um herói americano. A foto do seu resgate se tornou um símbolo de resistência para a cidade e as informações que forneceu ao FBI ajudaram a capturar um dos terroristas responsáveis.

Em Stronger, o diretor David Gordon Green e o roteirista John Polono narram a jornada do heroísmo involuntário de Bauman para estudar os efeitos íntimos de uma tragédia pública. Longe do patriotismo vazio, o filme foca nas reações humanas à atos horrendos e inexplicáveis, medindo o peso daquele instante na vida da vítima, dos seus familiares e da população assustada de uma cidade.

Gordon Green, cuja filmografia abriga tanto dramas pesados como comédias de maconheiro, tem o alcance emocional necessário para captar todos os sentimentos envolvidos na história de Bauman. Não apenas a sua dor física ou a sua devastação psicológica, mas também a sua personalidade infantil, o seu amor pela namorada, a sua dependência da mãe, o carinho pela família barulhenta e as brincadeiras bestas e bêbadas com os primos. Uma tragédia muda, mas não tira todas as cores da vida.

Jake Gyllenhaal é essencial para que esse retrato seja crível. Em mais uma atuação impecável, ele assume todos os constrangimentos da recuperação: as quedas, o esforço para tarefas simples como pegar papel higiênico no banheiro, e o fato de ser alçado ao posto de herói pela mídia e pela família. Como um mecanismo de defesa pós-traumático, a sua sobrevivência se tornou a resposta contra aquela ameaça inesperada. A mãe, belamente interpretada por Miranda Richardson em toda a sua chatice, assume esse heroísmo declarado como uma compensação por quase ter perdido o filho, uma alegria em meio ao sofrimento.

Tatiana Maslany, que vive Erin Hurley, a ex-namorada que Bauman tentava reconquistar, é o outro lado. Igualmente competente, a atriz encarna a culpa de ser a razão de Bauman estar onde estava e o peso de tentar retomar a normalidade das suas vidas. Sem romantismo, o filme não esquece o quanto é difícil ajudar quem não quer ajudar a si mesmo.

Stronger vai além do rótulo do filme baseado em fatos e aborda todos os aspectos da tragédia humana. Choca e emociona por sua verdade, o que torna a sua mensagem de esperança não apenas legítima, mas essencial. 

Nota do Crítico
Excelente!