Filmes

Crítica

Stardust - O Mistério da Estrela

Fantasia resgata os filmes do gênero da década de 1980

Érico Borgo
11.10.2007, às 15H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H29
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H29

Por um lado, O Senhor dos Anéis e Harry Potter prestaram um certo desserviço ao gênero cinematográfico que tão bem representam nas telonas, a fantasia.

De olho nas barcaças de dinheiro que as duas séries fizeram (e ainda fazem), toda a Hollywood saiu buscando alucinadamente a "próxima grande franquia fantástica". E tome novas séries medíocres, feito Eragon, criadas com o intuito descarado de ter continuações e infames trilogias. Pra quê ganhar uma vez quando você pode ganhar três?

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Pois Stardust segue na contramão desse tendência. É um resgate da fantasia oitentista, quando filmes contavam histórias originais com começo, meio e fim. A Lenda, O Feitiço de Áquila, Willow, Labirinto, A História Sem Fim (eu finjo esquecer das continuações) são exemplos dessa excelente década para o gênero.

A adaptação para as telonas do romance de Neil Gaiman, lindamente ilustrado por Charles Vess, segue o visual das pinturas. Quanto ao texto, os puristas certamente vão torcer o nariz. Há diversos momentos condensados, várias ausências notáveis, uma simplificação da mitologia e outras alterações - algumas bem gritantes, como o Capitão Shakespeare. Como a produção conseguiu Robert DeNiro para o papel, fica claro o porquê da participação ampliada do personagem. Mas não dá pra reclamar. Ele está engraçadíssimo.

Aliás, o humor é parte integrante de toda a trama. Isso não significa, porém, que aquela veia sombria de Gaiman, que o tornou tão famoso na indústria dos quadrinhos, tenha sido apagada. Pelo contrário. O filme não é exatamente para os pequenos, por algumas cenas de sangue (azul, mas é sangue) e mortes criativas. O humor também é levemente adulto.

A trama conta a história de Tristan Thorn (Charlie Cox), um garoto comum da pequena cidade de Muralha, que se apaixona pela menina mais bonita das redondezas (Sienna Miller). Para provar seu amor, o jovem promete buscar uma estrela cadente que ambos viram cair. Entretanto, o corpo celeste não caiu no mundo em que vivem, e sim, nas terras além-muro - no mundo das fadas. Assim, cabe a Tristan juntar coragem para iniciar sua jornada e adentrar o reino mágico, se quiser conquistar sua amada. Acontece que há outras forças em jogo, como a bruxa Lamia (Michelle Pfeiffer) e os príncipes de Stormhold, todas igualmente interessadas na estrela...

Quanto à produção, o diretor Matthew Vaughn (Nem tudo é o que Parece), que desistiu de X-Men 3 para fazer este filme, caprichou, mas não exagerou. Os efeitos especiais e cenários são bons, mas jamais tomam a dianteira da produção. Ele preferiu, aliás, usar cenários reais na grande maioria das cenas. Assim, Stardust não quebra paradigmas, revoluciona o mercado ou tenta ser maior do que realmente é. Sua intenção é mesmo aquela já citada retomada do entretenimento simpático das aventuras de capa, espada e magia. Quem foi criança naquela época agradece.

Stardust: O Mistério da Estrela
Stardust
Stardust: O Mistério da Estrela
Stardust

Ano: 2007

País: EUA, Reino Unido, Islândia

Classificação: 12 anos

Duração: 127 min

Direção: Matthew Vaughn

Roteiro: Matthew Vaughn, Jane Goldman, Neil Gaiman

Elenco: Ian McKellen, Ben Barnes, Charlie Cox, Sienna Miller, Henry Cavill, Nathaniel Parker, Peter O'Toole, Mark Strong, Jason Flemyng, Mark Heap, Rupert Everett, David Walliams, Julian Rhind-Tutt, Adam Buxton, Michelle Pfeiffer, Claire Danes, Sarah Alexander, Joanna Scanlan, Mark Williams, Robert De Niro, Dexter Fletcher, Ricky Gervais

Nota do Crítico
Bom

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